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Carta aos meus filhos adolescentes Nossa relação mudará, não se assustem, continuo amando absurdamente cada um de vocês. Estarei sempre de plantão, para o que der e vier. Do mesmo

Morfologia

CESGRANRIO · 2018

Carta aos meus filhos adolescentes

 

Nossa relação mudará, não se assustem, continuo amando absurdamente cada um de vocês. Estarei sempre de plantão, para o que der e vier. Do mesmo jeito, com a mesma vontade de ajudar.

 

É uma fase necessária: uma aparência de indiferença recairá em nossos laços, uma casca de tédio grudará em nossos olhares.

 

Mas não durará a vida inteira, posso garantir.

 

Nossa comunicação não será tão fácil como antes. A adolescência altera a percepção dos pais, tornei-me o chato daqui por diante.

 

Eu me preparei para a desimportância, guardei estoque de cartõezinhos e cartas de vocês pequenos, colecionei na memória as declarações de “eu te amo” da última década, ciente de que não ouvirei nenhuma jura por um longo tempo.

 

A vida será mais árida, mais constrangedora, mais lacônica. É um período de estranheza, porém essencial e corajoso. Todos experimentam isso, em qualquer família, não tem como adiar ou fugir.

 

Serei obrigado agora a bater no quarto de vocês e aguardar uma licença. Existe uma casa chaveada no interior de nossa casa. Não desfruto de chave, senha, passaporte. Não posso aparecer abrindo a porta de repente. Às vezes mandarei um WhatsApp apenas para saber onde estão, mesmo quando estiverem dentro do apartamento. Passarei essa vergonha.

 

Perguntarei como estão e ganharei monossílabos de presente. Talvez um ok. Talvez a sorte de um tudo bem. As confissões não acontecerão espontaneamente.

 

“Me deixe em paz” despontará como refrão diante de qualquer cobrança.

 

Precisarei ser mais persuasivo. Nem alcanço alguma ideia de como, para mim também é uma experiência nova, tampouco sei agir. Os namoros e os amigos assumirão as suas prioridades.

 

Verei vocês somente saindo ou chegando, desprovido de convergência para um abraço demorado.

 

Já não me acharão um máximo, já não sou grande coisa. Perceberam os meus pontos fracos, decoraram os meus defeitos, não acreditam mais em minhas histórias, não sou a única versão de vocês. Qualquer informação que digo, vão checar no Google.

 

Mas vamos sobreviver: o meu amor é imenso para resistir ao teste da diferença de idade e de geração. Espero vocês do outro lado da ternura, quando tiverem a minha idade.

 

CARPINEJAR, F. Carta aos meus filhos adolescentes. Disponível em: <https://blogs.oglobo.globo.com/fabricio-carpinejar/post/carta-aos-meus-fi lhos-adolescentes.html>. Acesso em: 10 jul. 2018. Adaptado.

 

A frase em que o verbo em destaque está empregado em consonância com a norma-padrão é:

  1. Não mido esforços para a educação de meus filhos.
  2. Um dia, eles quererão ajuda com seus próprios bebês.
  3. Aqueles pais poram muita esperança no futuro de seus filhos.
  4. Os pais sempre proviram os recursos para a sobrevivência de sua família.
  5. Ah, se os pais cabessem na vida dos filhos adolescentes assim como os namoros e os amigos!
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Gabarito

B

Comentário do professor

A locução temporal “um dia” aponta para um fato situado no futuro. Em razão disso, o verbo deve aparecer no futuro do presente do indicativo, que expressa ações posteriores ao momento da fala.

O verbo querer flexiona-se no futuro do presente assim: Eu quererei; Tu quererás; Ele quererá; Nós quereremos; Vós querereis; Eles quererão.
Note a correspondência entre o sujeito eles (terceira pessoa do plural) e a terminação “-ão”.

Portanto, a forma quererão respeita a flexão verbal exigida pelo contexto temporal e a concordância com o sujeito, adequando-se à norma-padrão.

Um dia, eles quererão ajuda com seus próprios bebês.

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