Questão FC242257
Texto II O acendedor de lampiões e nós Outro dia tive uma visão. Uma antevisão. Eu vi o futuro. O futuro estampado no passado. Como São João do Apocalipse, vi descortinar aos meus
Morfologia
CESGRANRIO · 2018
Texto II
O acendedor de lampiões e nós
Outro dia tive uma visão. Uma antevisão. Eu vi o futuro. O futuro estampado no passado. Como São João do Apocalipse, vi descortinar aos meus olhos o que vai acontecer, mas que já está acontecendo.
Havia acordado cedo e saí para passear com minha cachorrinha, a meiga Pixie, que volta e meia late de estranhamento sobre as transformações em curso. Pois estava eu e ela perambulando pela vizinhança quando vi chegar o jornaleiro, aquele senhor com uma pilha de jornais, que ia depositando de porta em porta. Fiquei olhando. Ele lá ia cumprindo seu ritual, como antigamente se depositava o pão e o leite nas portas e janelas das casas.
Vou confessar: eu mesmo, menino, trabalhei entregando garrafas de leite aboletado na carroça do ‘seu’ Gamaliel, lá em Juiz de Fora.
E pensei: estou assistindo ao fim de uma época. Daqui a pouco não haverá mais jornaleiro distribuindo jornais de porta em porta. Esse entregador de jornais não sabe, mas é semelhante ao acendedor de lampiões que existia antes de eu nascer. Meus pais falavam dessa figura que surgia no entardecer e acendia nos postes a luz movida a gás, e de manhã vinha apagar a tal chama. [...]
SANT’ANNA, Affonso Romano de. O acendedor de lampiões e nós. Estado de Minas/Correio Brasiliense. 22 ago. 2010. Fragmento.
No Texto II, na passagem “saí para passear com minha cachorrinha, a meiga Pixie, que volta e meia late de estranhamento”, a palavra em negrito expressa um sentido que também se encontra na palavra destacada em:
- A casa que comprei é toda de madeira.
- Toda a minha família descende de libaneses.
- Sinto-me sempre mais disposto de manhã.
- Eu não gosto de falar de política.
- É muito triste saber que ainda há gente que morre de fome.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Na frase do enunciado, a preposição de assume o valor semântico de causa: ela liga a ação do verbo ao motivo que a provoca.
O enunciado correto, “É muito triste saber que ainda há gente que morre de fome.”, mostra essa mesma relação: a morte acontece por causa da fome. Assim, o teste de substituição confirma o valor causal — podemos reescrever: “morre por causa de fome” sem perda de sentido.
Analogamente, em “late de estranhamento”, o latido decorre do estranhamento — novamente, de = por causa de. Em provas, identificar essa leitura causal é suficiente para justificar a escolha da alternativa correta.
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