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Questão FC242282

Texto I “Quando eu for bem velhinho / Bem velhinho, que [precise] usar um bastão / Eu hei de ter um netinho, ah... / Pra me levar pela mão / No carnaval, eu não fico em casa / Eu n

Morfologia

CESGRANRIO · 2016

Texto I


“Quando eu for bem velhinho /


Bem velhinho, que [precise] usar um bastão / Eu hei de ter um netinho, ah... / Pra me levar pela mão / No carnaval, eu não fico em casa / Eu não fico, eu vou brincar! / Nem que eu vá me sentar na calçada / Pra ver meu bloco passar...”


Lupicínio Rodrigues — autor de elaboradas e densas canções de amor — surpreende escrevendo, em 1936, ano em que nasci, essa singela e comovente marchinha carnavalesca. Uma raridade que constrói e, ao mesmo tempo, define um carnaval. O carnaval como um ritual — como um encontro necessário, como as festas religiosas e algumas cerimônias cívicas — e não como uma brincadeira da qual se escolhe, livre e individualmente, participar. O carnaval faz parte do calendário religioso católico romano que, mesmo no Brasil republicano, burguês e pós-moderno, continua a ser observado. Hoje, ao lado da Semana Santa e da Semana da Pátria, ele talvez seja mais um feriado festivo do que uma ocasião que coage o nosso comportamento, obrigando à participação, como deixa claro a marchinha de Lupicínio.


Ouvi a música pelo piano de mamãe quando era um menino: supunha-me o netinho que levava o avô pela mão até o seu bloco de carnaval. Hoje, sendo um avô feliz e orgulhoso de cinco lindas moças e três belos rapazes, tenho nada mais nada menos do que 16 mãos dispostas a, amorosamente, me conduzirem ao meu bloco que passa todo ano pela minha calçada.


Leitor querido: se você tiver alguma recordação dessa música, ouça-a. Se você não souber manipular algum aparelho eletrônico, seu netinho o ajuda. E ouvindo a simplicidade dessa tocante canção, você vai ler esta crônica como eu a escrevo: com os olhos molhados dos antigos carnavais.


DAMATTA, R. O Globo, Rio de Janeiro, 10 fev. 2016. Primeiro Caderno, p. 13. Adaptado.

 

 

A conjunção que empregada na primeira linha do Texto I tem o seguinte valor:

  1. causa
  2. instrumento
  3. consequência
  4. conformidade
  5. proporcionalidade
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A conjunção que em “Bem velhinho, que [precise] usar um bastão” introduz uma oração subordinada adverbial consecutiva, ou seja, indica a consequência do estado expresso na oração principal.

Há um verbo implícito: “[Ser] bem velhinho, que precise usar um bastão.” A ideia é causal–efetual: por ser muito idoso, resulta que precisará de um bastão.

Uma paráfrase clara: “Serei tão velho que precisarei usar um bastão.” Nesse sentido, que equivale a “de modo que”/“de tal forma que”, marcando consequência.

Portanto, o valor sintático e semântico da conjunção é o de consequência.

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