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Questão FC242317

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação à

Colocação Pronominal

CESGRANRIO · 2016

Texto

 

Feliz por nada

 

Geralmente, quando uma pessoa exclama “Estou tão feliz!”, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

 

Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

 

Feliz por nada, nada mesmo? Talvez passe pela total despreocupação com essa busca.

 

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

 

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

 

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação à sociedade e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

 

A vida não é um questionário. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

 

Ser feliz por nada talvez seja isso.

 

MEDEIROS, Martha. Feliz por nada. Porto Alegre: L&PM, jul. 2011.

 

A posição do pronome se destacado atende às exigências da norma-padrão da língua portuguesa em:

  1. É preciso que os estados em que há maior degradação ambiental não neguem-se a tomar as providências necessárias para enfrentar o problema.
  2. Há uma grande pressão social para que as pessoas mantenham-se felizes e sintam-se realizadas permanentemente.
  3. Se os órgãos responsáveis pela proteção ambiental dedicarem-se mais a sua missão, as matas brasileiras poderão sobreviver à degradação.
  4. Quando os institutos de pesquisa se preocuparem em analisar o grau de felicidade da população, descobrirão que os índices são muito baixos.
  5. Livros de autoajuda fazem muito sucesso atualmente porque ensinam as pessoas a nunca sentirem-se infelizes ao enfrentarem dificuldades.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Na frase correta, o pronome se aparece antes do verbo: "Quando os institutos de pesquisa se preocuparem...".

Quando é uma conjunção subordinativa temporal; por isso, introduz uma oração subordinada que exige próclise — isto é, o pronome oblíquo átono vem antes do verbo.

Regra prática: conjunções subordinativas (como quando, se, porque, embora etc.) atraem o clítico para a posição pré-verbal. Assim, não se usa enclítico ("preocupar-se") nessa construção.

Além disso, o verbo aparece no futuro do subjuntivo ("preocuparem"), própria de orações temporais introduzidas por quando, e o pronome anteposto mantém a norma-padrão.

Portanto, a colocação "se preocuparem" respeita a exigência sintática da próclise imposta pela conjunção inicial, justificando a alternativa como correta.

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