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Questão FC242326

A Bela e a Fera Um dos desejos de minha infância foi habitar um palácio como o da Bela e da Fera, evidente que sem a Fera. Tinha tudo do bom e do melhor naquele palácio. As luzes s

Semântica

CESGRANRIO · 2024

A Bela e a Fera

 

Um dos desejos de minha infância foi habitar um palácio como o da Bela e da Fera, evidente que sem a Fera. Tinha tudo do bom e do melhor naquele palácio. As luzes se acendiam à passagem da moça, a mesa estava posta, havia solidão e silêncio, ninguém enchia o saco dela, a Fera providenciava tudo e ainda fazia o favor de não aparecer, não queria assustá-la.

 

Eu imaginava um palácio mais modesto, seria a minha própria casa, apenas com um acréscimo: em todas as paredes haveria umas torneirinhas que despejariam guaraná no meu copo. Eu era louco por guaraná, ficava triste quando tomava um, confinado numa garrafa banal, que mal dava para encher um copo.

 

Queria mais, e muito, daí que sonhava com torneiras em todas as paredes, bastava abri-las e o guaraná geladinho jorraria para matar a minha sede e me tontear de prazer.

 

A injúria do tempo, somada ao desgaste dos anos, sepultou o delírio, mas fui fiel a ele, não tive outros pela vida afora. Esqueci a Bela e a Fera, o Palácio Encantado, as torneirinhas jorrando guaraná.

 

Eis que, deixando de ler historinhas infantis, de repente descobri um sucedâneo, bem verdade que às avessas: a internet. Ela não me deslumbra como os contos de Grimm e Perrault; pelo contrário, me aterroriza, mas tem alguma coisa de encantado. Toda vez que abro a caixa postal, é como se abrisse a torneirinha daquele palácio que a memória não esqueceu, mas a vida demoliu.

 

Não recebo o guaraná mágico para matar minha sede e me tontear de prazer. Recebo mensagens propondo regimes de emagrecimento, oferecem-me terrenos que não quero comprar e viagens que não pretendo fazer. Vez ou outra, pinga uma gota de afeto – mal dá para encher o copo e embromar a sede.

 

Ouvi dizer que a internet está na Idade da Pedra, mais um pouco ela poderá me dar mais e melhor. Um dia abrirei o computador e terei o guaraná que não mereço.

 

CONY, Carlos Heitor. Crônicas para ler na escola. Rio

de Janeiro: Objetiva, 2009. p.29-30. Disponível em: https://

www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1201200606.htm.

Acesso em: 8 fev. 2024.Adaptado.

 

No trecho do parágrafo 5 “Eis que, deixando de ler historinhas infantis, de repente descobri um sucedâneo, bem verdade que às avessas: a internet”, o vocábulo “sucedâneo” pode ser substituído, sem prejuízo de seu sentido no texto, por

  1. imitação
  2. ocupação
  3. substituto
  4. divertimento
  5. acontecimento
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Substituto é opção adequada porque guarda a mesma ideia de sucedâneo: algo que toma o lugar de outra coisa. A palavra remete semanticamente a suceder — isto é, a ser o que vem em lugar do anterior.

Em dicionários, sucedâneo aparece definido como "que sucede a outro; que pode substituir outro", sentido que coincide exatamente com o de substituto.

No trecho, o autor apresenta a internet como um recurso que assumiu o papel das fantasias infantis — não como réplica idêntica, mas como um substituto funcional. Portanto, a troca preserva o sentido e o tom do enunciado.

Além disso, o registro vocabular de substituto é compatível com o texto, mantendo clareza e naturalidade.

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