Questão FC242333
Texto II O Brasil na memória A viagem tem uma estruturalidade típica. Há a escolha do destino, uma finalidade antevista, uma partida e um retorno, um trajeto por lugares, um tempo
Semântica
CESGRANRIO · 2018
Texto II
O Brasil na memória
A viagem tem uma estruturalidade típica. Há a escolha do destino, uma finalidade antevista, uma partida e um retorno, um trajeto por lugares, um tempo de duração. Há situações iniciais e finais, outras intermediárias, numa dimensão linear, e há atores, um dos quais o viajante, que serve de fio condutor entre pessoas, acontecimentos, locais e deslocamentos. Supõe uma subjetividade que se abre ao desconhecido, a perda de referências familiares, o abandono do mesmo pelo diferente, o encontro com o outro e o reencontro consigo mesmo. Em contrapartida, a narrativa de viagem depende em primeiro lugar da memória e de anotações. Seleciona experiências, precisa estabelecer um projeto de narração, não necessariamente cronológico ou causal, torna-se, mesmo sem intenção, um testemunho. E é orientada por perspectivas do narrador-viajante, que incluem seu estilo de vida, sua mentalidade, assim como sua visão de mundo e sua posição de sujeito, ou seja, o local cultural de onde fala.
BORDINI, Maria da Glória. In: Descobrindo o Brasil. Rio de Janeiro:
EdUERJ, 2011, p. 353.
No Texto II, em “Supõe uma subjetividade que se abre ao desconhecido.”, se as três palavras destacadas fossem substituídas por seus antônimos, o trecho seria:
- Supõe uma objetividade que se consuma no incógnito.
- Supõe uma objetividade que se fecha ao reconhecido.
- Supõe uma realidade que se conclui no ignorado.
- Supõe uma realidade que se encerra ao sabido.
- Supõe um propósito que se nega ao recôndito.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A substituição por antônimos produz a frase: Supõe uma objetividade que se fecha ao reconhecido.
O antônimo de subjetividade é objetividade: enquanto a primeira indica uma postura aberta, pessoal e interpretativa, a segunda remete a uma postura impessoal, neutra e centrada em factos já estabelecidos.
Trocar abre por fecha inverte a dinâmica: de uma atitude receptiva ao novo para uma atitude de fechamento, resistência à novidade.
Substituir desconhecido por reconhecido transforma o foco do inexplorado para o já familiar e identificado.
Assim, a versão resultante expressa o oposto da ideia original: em vez de acolhimento do outro e da diferença, instaura-se uma postura fechada e ancorada no que já é conhecido, justificando a corretude da alternativa.
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