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Questão FC242472

Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair de casa de madrugada e pegar o

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

CESGRANRIO · 2016

Banhos de mar

 

Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife.

 

Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda ainda na escuridão?

 

De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Nós nos vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.

 

Saímos para uma rua toda escura, recebendo a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde. Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem na ponta do banco, e minha felicidade começava. Atravessar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No bonde mesmo o tempo começava a clarear, e uma luz trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o mundo.

 

Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe, um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras da minha família, que de vez em quando me dizia rindo: “Olhe, um porco de verdade.”

 

Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.

 

LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo. São Paulo: Rocco, 1999, p. 175. Adaptado.

 

Do trecho do Texto “Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar”, a única reescritura que emprega adequadamente os sinais de pontuação e não altera seu sentido original é:

  1. Meu pai acreditava que, todos os anos, se devia fazer uma cura de banhos de mar.
  2. Meu pai acreditava, que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar.
  3. Meu pai acreditava que todos os anos, se devia fazer uma cura de banhos de mar.
  4. Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer, uma cura de banhos de mar.
  5. Meu pai, acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Estrutura sintática: a oração "Meu pai acreditava" é a oração principal e a sequência iniciada por "que" forma uma oração subordinada substantiva objetiva direta, ou seja, o conteúdo da crença do sujeito.

Naquele segmento, "todos os anos" funciona como adjunto adverbial de tempo inserido dentro da oração subordinada. Por ser intercalado, deve ser isolado por vírgulas para indicar essa pausa explicativa.

As vírgulas de A marcam corretamente a intercalação, preservando a unidade sintática da subordinada ("que ... se devia fazer uma cura de banhos de mar") e destacando o adjunto temporal sem alterar o sentido original.

Portanto, a pontuação proposta mantém a estrutura e o sentido do enunciado, justificando a correção da alternativa.

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