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Questão FC242484

— Desce?

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

CESGRANRIO · 2015

Texto II

Sobe e desce


Ascensorista é uma das profissões que desapareceram no mundo moderno. Era certamente a mais tediosa das profissões, e não apenas porque o ascensorista estava condenado a passar o dia ouvindo histórias pela metade, anedotas sem desenlace, brigas sem resolução, só nacos e vislumbres da vida dos passageiros.


Pode-se imaginar que muitos ascensoristas tenham tentado combater o tédio, variando a sua própria fala.


Dizendo “ascende”, em vez de “sobe”, por exemplo.


Ou “Eleva-se”.


Ou “Para cima”.


— Para o alto.


— Escalando.


Quando perguntassem “Sobe ou desce?”, responderia “A primeira alternativa”. Ou diria “Descendente”, “Ruma para baixo”. “Cai controladamente”.


E se justificaria dizendo:


— Gosto de improvisar.


Mas, como toda arte tende para o excesso, o ascensorista entediado chegaria fatalmente ao preciosismo. Quando perguntassem “Sobe?”, responderia “É o que veremos...” Ou então, “Como a Virgem Maria”.


Ou recorreria a trocadilhos:


— Desce?


— Dei.


Nem todo mundo o compreenderia, mas alguns o instigariam.


Quando comentassem que devia ser uma chatice trabalhar em elevador, ele não responderia “tem altos e baixos”, como esperavam. Responderia, “cripticamente”, que era melhor do que trabalhar em escada.


Ou que não se importava, embora seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que também andasse para os lados...


E quando ele perdesse o emprego porque substituíssem o elevador antigo por um moderno, daqueles com música ambiental, diria:


— Era só me pedirem. Eu também canto!


Mas, enquanto não o despedissem, continuaria inovando.


— Sobe?


— A ideia é essa.


— Desce?


— Se ainda não revogaram a lei da gravidade, sim.


— Sobe?


— Faremos o possível.


— Desce?


— Pode acreditar.


VERISSIMO, L. F. Jornal O Globo, p. 15, 28 jun. 2015.

 

Os seguintes trechos do Texto II tiveram sua pontuação alterada.


A alteração que NÃO respeita a norma-padrão é:

  1. responderia “A primeira alternativa”. [...] (l. 10)  responderia: “A primeira alternativa”.
  2. quando ele perdesse o emprego porque substituíssem o elevador antigo por um moderno, daqueles com música ambiental, diria [...] (.l 23)

    quando ele perdesse o emprego porque substituíssem o elevador antigo por um moderno (daqueles com música ambiental) diria

  3. Pode-se imaginar que muitos ascensoristas tenham tentado combater o tédio [...] (l. 4) Pode-se imaginar, que muitos ascensoristas tenham tentado combater o tédio
  4. Era certamente a mais tediosa das profissões [...] (l. 1) Era, certamente, a mais tediosa das profissões
  5. Mas, como toda arte tende para o excesso, o ascensorista entediado chegaria fatalmente ao preciosismo. [...] (l. 14) Mas, como toda arte tende para o excesso, o ascensorista, entediado, chegaria fatalmente ao preciosismo.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Na alteração proposta — "Pode-se imaginar, que muitos ascensoristas tenham tentado combater o tédio" — a vírgula entre o verbo e a oração seguinte viola a norma-padrão.

A sequência "que muitos ascensoristas tenham tentado combater o tédio" é uma oração subordinada substantiva que funciona como complemento (objeto) do verbo imaginar: pergunta-se "imaginar o quê?".

Gramaticamente, não se separa o verbo do seu complemento com vírgula, pois isso rompe a unidade sintática e cria pausa indevida. Portanto, a inserção da vírgula é incorreta.

A forma correta mantém a oração encadeada: "Pode-se imaginar que muitos ascensoristas tenham tentado combater o tédio."

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