FC ConcursosFC Concursos

Questão FC242515

A fala vegetal Não é mistério para os entendidos que há uma linguagem das plantas, ou, para ser mais exato, que a cada planta corresponde uma linguagem. Como a variedade de plantas

Regência

CESGRANRIO · 2024

A fala vegetal

 

Não é mistério para os entendidos que há uma linguagem das plantas, ou, para ser mais exato, que a cada planta corresponde uma linguagem. Como a variedade de plantas é infinita, faz-se impossível ao entendimento, por muito atilado que seja, captar todas as vozes de vegetais. E só os mais perspicazes entre os humanos conseguem entender a conversa entre duas plantas de espécies diferentes: cada uma usa o seu vocabulário, como por exemplo num diálogo em que A falasse em espanhol e B respondesse em alemão.

 

Levindo, jardineiro experiente, chegou a dominar as linguagens que se entrecruzavam no jardim. Um leigo diria que não se escutava nada, salvo o zumbir de moscas e besouros, mas ele chegava a distinguir o suspiro de uma violeta, e suas confidências ao amor-perfeito não eram segredo para os ouvidos daquele homem.

 

Até que um dia as plantas desconfiaram que estavam sendo espionadas e planejaram a conspiração de silêncio contra Levindo. Passaram a comunicar-se por meio de sinais altamente sigilosos, renovados a cada semana. Em vão o jardineiro se acocorava a noite inteira no jardim, na esperança de decifrar o código. Enlouqueceu. Perdendo o emprego, as coisas não voltaram à normalidade. As plantas haviam esquecido o hábito de conversar direito. Já não se entendiam, brigavam de haste contra haste, muitas se aniquilaram em combate. O jardim foi invadido pelas cabras, que pastaram o restante da vegetação.

 

ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

 

O acento indicativo de crase está empregado de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa em:

  1. Levindo não se referiu a este, mas àquele sinal sigiloso.
  2. Haste à haste, as plantas foram sendo derrubadas.
  3. O jardineiro devia satisfações à cada uma das plantas.
  4. Ele dedicava-se à trabalhos no jardim.
  5. À depender do código usado, a compreensão era mais difícil.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

A

Comentário do professor

Na frase Levindo não se referiu a este, mas àquele sinal sigiloso, o emprego de crase está correto porque o verbo referir‑se rege a preposição a.

Temos, portanto, a sequência: "se referiu a este, mas se referiu a aquele". Como o pronome demonstrativo aquele começa por a, ocorre a contração entre a preposição e o a inicial do pronome: \(a + a = à\).

Em termos práticos, marque‑se a crase sempre que houver a junção da preposição exigida pelo verbo com o artigo ou com o elemento inicial do pronome demonstrativo (como aquele/ aquela/ aquilo). Assim, àquele está gramaticalmente justificado.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo