Questão FC242529
Texto II Estojo escolar Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me aj
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CESGRANRIO · 2019
Texto II
Estojo escolar
Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação espacial.
Minhas necessidades são mais modestas: tenho um PC mastodôntico, contemporâneo das cavernas da informática. E um laptop da mesma época que começa a me deixar na mão. Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portátil.
No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser aberto. Depois de mil operações sofisticadas para minhas limitações, retirei das entranhas de isopor o novo notebook e coloquei-o em cima da mesa. De repente, como vem acontecendo nos últimos tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jardim de infância.
Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros.
Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. Fechei o estojo para proteger aquele cheiro, que ele ficasse ali para sempre, prometi-me economizá-lo. Com avareza, só o cheirava em momentos especiais.
Na tampa que protegia estojo e cheiro havia gravado um ramo de rosas muito vermelhas que se destacavam do fundo creme. Amei aquele ramalhete – olhava aquelas rosas e achava que nada podia ser mais bonito.
O notebook que agora abro é negro, não tem rosas na tampa e, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião, ao aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida.
CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo: Objetiva,
2009. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao
/fz12039806.htm>. Acesso em: 23 jul. 2019.
O acento grave indicativo de crase é necessário e está empregado de acordo com a norma-padrão em:
- É bom manter-nos à distância de dez passos.
- O sol estava à pino e precisamos nos proteger do calor.
- A volta à Portugal, seu país natal, fez meu pai muito feliz.
- Com muito esforço, os idosos acompanham às novas tecnologias.
- Sempre reconhecemos àqueles que são nossos verdadeiros amigos.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Na frase É bom manter-nos à distância de dez passos, o acento grave marca a crase.
Explicação: a crase ocorre quando há a junção da preposição "a" (exigida pelo verbo ou locução verbal) com o artigo definido "a" que acompanha um substantivo feminino.
Aqui, "distância" é substantivo feminino e está especificada por "de dez passos", ou seja, admite o artigo. O verbo exige a preposição, formando a sequência preposição + artigo = à.
Reescrevendo, temos a ideia de "manter-nos a uma distância de dez passos"; pela necessidade conjunta de preposição e artigo, usa‑se à, portanto a crase está correta.
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