Questão FC242572
A Bela e a Fera Um dos desejos de minha infância foi habitar um palácio como o da Bela e da Fera, evidente que sem a Fera. Tinha tudo do bom e do melhor naquele palácio. As luzes s
Concordância (Verbal e Nominal)
CESGRANRIO · 2024
A Bela e a Fera
Um dos desejos de minha infância foi habitar um palácio como o da Bela e da Fera, evidente que sem a Fera. Tinha tudo do bom e do melhor naquele palácio. As luzes se acendiam à passagem da moça, a mesa estava posta, havia solidão e silêncio, ninguém enchia o saco dela, a Fera providenciava tudo e ainda fazia o favor de não aparecer, não queria assustá-la.
Eu imaginava um palácio mais modesto, seria a minha própria casa, apenas com um acréscimo: em todas as paredes haveria umas torneirinhas que despejariam guaraná no meu copo. Eu era louco por guaraná, ficava triste quando tomava um, confinado numa garrafa banal, que mal dava para encher um copo.
Queria mais, e muito, daí que sonhava com torneiras em todas as paredes, bastava abri-las e o guaraná geladinho jorraria para matar a minha sede e me tontear de prazer.
A injúria do tempo, somada ao desgaste dos anos, sepultou o delírio, mas fui fiel a ele, não tive outros pela vida afora. Esqueci a Bela e a Fera, o Palácio Encantado, as torneirinhas jorrando guaraná.
Eis que, deixando de ler historinhas infantis, de repente descobri um sucedâneo, bem verdade que às avessas: a internet. Ela não me deslumbra como os contos de Grimm e Perrault; pelo contrário, me aterroriza, mas tem alguma coisa de encantado. Toda vez que abro a caixa postal, é como se abrisse a torneirinha daquele palácio que a memória não esqueceu, mas a vida demoliu.
Não recebo o guaraná mágico para matar minha sede e me tontear de prazer. Recebo mensagens propondo regimes de emagrecimento, oferecem-me terrenos que não quero comprar e viagens que não pretendo fazer. Vez ou outra, pinga uma gota de afeto – mal dá para encher o copo e embromar a sede.
Ouvi dizer que a internet está na Idade da Pedra, mais um pouco ela poderá me dar mais e melhor. Um dia abrirei o computador e terei o guaraná que não mereço.
CONY, Carlos Heitor. Crônicas para ler na escola. Rio
de Janeiro: Objetiva, 2009. p.29-30. Disponível em: https://
www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1201200606.htm.
Acesso em: 8 fev. 2024.Adaptado.
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, a concordância verbal está corretamente empregada na forma destacada em:
- Antigamente, haviam muitos sonhos na infância de nossos filhos.
- “A Bela e a Fera” são um conto infantil muito conhecido.
- Existe, ainda, muitas crianças interessadas em contos de fadas.
- Faz muitos anos que deixei de sonhar com príncipes e princesas.
- Procura-se contadores de histórias para encantar futuros leitores.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A frase está correta porque o verbo fazer é usado aqui no sentido de tempo decorrido e, nessa acepção, é impessoal: não tem sujeito e permanece na 3ª pessoa do singular.
Ou seja, em "Faz muitos anos que deixei de sonhar...", "muitos anos" não é sujeito, mas complemento temporal; o verbo não concorda com esse complemento.
A regra geral: verbos impessoais que indicam duração ou fenômeno meteorológico ficam sempre no singular, mesmo que o termo que expressa tempo esteja no plural.
Exemplo parecido: Faz dez anos que nos mudamos. Portanto, a forma "Faz muitos anos..." está corretamente empregada.
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