Questão FC242592
Texto III Beira-mar Quase fim de longa tarde de verão. Beira do mar no Aterro do Flamengo próximo ao Morro da Viúva, frente para o Pão de Açúcar. Com preguiça, o sol começava a esc
Concordância (Verbal e Nominal)
CESGRANRIO · 2019
Texto III
Beira-mar
Quase fim de longa tarde de verão. Beira do mar no Aterro do Flamengo próximo ao Morro da Viúva, frente para o Pão de Açúcar. Com preguiça, o sol começava a esconder-se atrás dos edifícios. Parecia resistir ao chamado da noite. Nas pedras do quebra-mar caniços de pesca moviam-se devagar, ao lento vai e vem do calmo mar de verão. Cercados por quatro ou cinco pescadores de trajes simples ou ordinários, e toscas sandálias de dedo.
Bermuda bege de fino brim, tênis e camisa polo de marcas célebres, Ricardo deixara o carro em estacionamento de restaurante nas imediações. Nunca fisgara peixe ali. Olhado com desconfiança. Intruso. Bolsa a tiracolo, balde e vara de dois metros na mão. A boa técnica ensina que o caniço deve ter no máximo dois metros e oitenta centímetros para a chamada pesca de molhes, nome sofisticado para quebra-mar. Ponta de agulha metálica para transmitir à mão do pescador maior sensibilidade à fisgada do peixe. É preciso conhecimento de juiz para enganar peixes.
A uma dezena de metros, olhos curiosos viam o intruso montar o caniço. Abriu a bolsa de utensílios.
Entre vários rolos de linha, selecionou os de espessura entre quinze e dezoito centésimos de milímetro, ainda fiel à boa técnica.
— Na nossa profissão vivemos sempre preocupados e tensos: abertura do mercado, sobe e desce das cotações, situação financeira de cada país mundo afora. Poucas coisas na vida relaxam mais do que pescaria, cheiro de mar trazido pela brisa, e a paisagem marítima — costuma confessar Ricardo na roda dos colegas da financeira onde trabalha.
LOPES, L. Nós do Brasil. Rio de Janeiro: Ponteio, 2015, p. 101. Adaptado.
A concordância estabelecida com o verbo destacado está de acordo com as exigências da norma-padrão da língua portuguesa em:
- Os caniços de pesca pode ser comprado pela internet.
- Já não se fazem mais caniços de pesca como antigamente.
- Haviam muitos anos que eu não levava caniços de pesca para o quebra-mar.
- Bastava apenas dois caniços de pesca para Ricardo.
- O caniço dos pescadores eram os melhores da praia.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Na oração Já não se fazem mais caniços de pesca como antigamente, temos voz passiva sintética: o pronome se funciona como índice de passiva, convertendo o verbo em forma passiva sem auxílio de agente explícito (os agentes podem ser omitidos).
O sujeito é o substantivo plural caniços (de pesca), posposto ao verbo. Por isso o verbo fazem flexiona-se na 3.ª pessoa do plural para concordar com esse sujeito, obedecendo à regra geral de concordância verbal (verbo concorda em número e pessoa com o núcleo do sujeito).
Importante: não se trata de uso impessoal de fazer (que seria invariável), mas de estrutura passiva em que a concordância se estabelece com o sujeito plural expresso na oração.
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