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Questão FC242593

Texto II Estojo escolar Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me aj

Concordância (Verbal e Nominal)

CESGRANRIO · 2019

Texto II

 

Estojo escolar

 

Noite dessas, ciscando num desses canais a cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrônicas, bastava telefonar e eu receberia um notebook capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação  espacial.

 

Minhas necessidades são mais modestas: tenho um PC mastodôntico, contemporâneo das cavernas da informática. E um laptop da mesma época que começa a me deixar na mão. Como pretendo viajar esses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras anunciavam como o top do top em matéria de computador portátil.

 

No sábado, recebi um embrulho complicado que necessitava de um manual de instruções para ser aberto. Depois de mil operações sofisticadas para minhas limitações, retirei das entranhas de isopor o novo notebook e coloquei-o em cima da mesa. De repente, como vem acontecendo nos últimos tempos, houve um corte na memória e vi diante de mim o meu primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jardim de infância.

 

Era uma caixinha comprida, envernizada, com uma tampa que corria nas bordas do corpo principal. Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos, um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de 20 cm e uma borracha para apagar meus erros.

 

Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que nunca esqueci e que me tonteava de prazer. Fechei o estojo para proteger aquele cheiro, que ele ficasse ali para sempre, prometi-me economizá-lo. Com avareza, só o cheirava em momentos especiais.

 

Na tampa que protegia estojo e cheiro havia gravado um ramo de rosas muito vermelhas que se destacavam do fundo creme. Amei aquele ramalhete – olhava aquelas rosas e achava que nada podia ser mais bonito.

 

O notebook que agora abro é negro, não tem rosas na tampa e, em matéria de cheiro, é abominável. Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião, ao aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei de estojo e de vida.

 

CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo: Objetiva,

2009. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao

/fz12039806.htm>. Acesso em: 23 jul. 2019.

 

 

A frase em que a concordância nominal do elemento em destaque se dá de acordo com as regras da norma-padrão é:

  1. As lembranças e o saudosismo são dolorosas.
  2. As pessoas não deveriam ficar sós no final da vida.
  3. Caixas de notebook não têm nada de encantadora.
  4. É desnecessário a tristeza causada por boas lembranças.
  5. Temos de ficar em alertas para não sofrermos com o saudosismo.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na frase As pessoas não deveriam ficar sós no final da vida, sós funciona como predicativo do sujeito (adjetivo) e, portanto, deve concordar com o substantivo a que se refere.

Como as pessoas está no plural, o adjetivo aparece na forma plural (sós). Compare: Eu quero ficar só. / Nós queremos ficar sós.

Importante: existe também a locução adverbial a sós, que é invariable (não flexiona). Aqui, porém, não há a preposição “a”, logo trata‑se de concordância nominal do adjetivo.

Por isso a construção da alternativa está de acordo com a norma‑padrão.

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