FC ConcursosFC Concursos

Questão FC242655

A Bela e a Fera Um dos desejos de minha infância foi habitar um palácio como o da Bela e da Fera, evidente que sem a Fera. Tinha tudo do bom e do melhor naquele palácio. As luzes s

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

CESGRANRIO · 2024

A Bela e a Fera

 

Um dos desejos de minha infância foi habitar um palácio como o da Bela e da Fera, evidente que sem a Fera. Tinha tudo do bom e do melhor naquele palácio. As luzes se acendiam à passagem da moça, a mesa estava posta, havia solidão e silêncio, ninguém enchia o saco dela, a Fera providenciava tudo e ainda fazia o favor de não aparecer, não queria assustá-la.

 

Eu imaginava um palácio mais modesto, seria a minha própria casa, apenas com um acréscimo: em todas as paredes haveria umas torneirinhas que despejariam guaraná no meu copo. Eu era louco por guaraná, ficava triste quando tomava um, confinado numa garrafa banal, que mal dava para encher um copo.

 

Queria mais, e muito, daí que sonhava com torneiras em todas as paredes, bastava abri-las e o guaraná geladinho jorraria para matar a minha sede e me tontear de prazer.

 

A injúria do tempo, somada ao desgaste dos anos, sepultou o delírio, mas fui fiel a ele, não tive outros pela vida afora. Esqueci a Bela e a Fera, o Palácio Encantado, as torneirinhas jorrando guaraná.

 

Eis que, deixando de ler historinhas infantis, de repente descobri um sucedâneo, bem verdade que às avessas: a internet. Ela não me deslumbra como os contos de Grimm e Perrault; pelo contrário, me aterroriza, mas tem alguma coisa de encantado. Toda vez que abro a caixa postal, é como se abrisse a torneirinha daquele palácio que a memória não esqueceu, mas a vida demoliu.

 

Não recebo o guaraná mágico para matar minha sede e me tontear de prazer. Recebo mensagens propondo regimes de emagrecimento, oferecem-me terrenos que não quero comprar e viagens que não pretendo fazer. Vez ou outra, pinga uma gota de afeto – mal dá para encher o copo e embromar a sede.

 

Ouvi dizer que a internet está na Idade da Pedra, mais um pouco ela poderá me dar mais e melhor. Um dia abrirei o computador e terei o guaraná que não mereço.

 

CONY, Carlos Heitor. Crônicas para ler na escola. Rio

de Janeiro: Objetiva, 2009. p.29-30. Disponível em: https://

www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1201200606.htm.

Acesso em: 8 fev. 2024.Adaptado.

 

O termo “delírio”, empregado no parágrafo 4, retoma a ideia de

  1. adorar histórias infantis.
  2. ter tudo do bom e do melhor.
  3. gostar muito de refrigerante.
  4. jorrar guaraná de torneiras.
  5. haver solidão e silêncio no palácio.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

D

Comentário do professor

No trecho, o substantivo delírio retoma uma ideia de imaginação exagerada e irreal que o narrador nutriu na infância.

Essa imagem é explicitada nas passagens em que ele descreve desejar uma casa com torneirinhas em todas as paredes e, ao abri‑las, o guaraná geladinho jorraria para saciar sua sede.

Portanto, delírio refere‑se ao sonho fantástico e repetido desse recurso mágico — as torneiras que despejam guaraná —, ou seja, à ideia de jorrar guaraná de torneiras.

Essa retomada garante coesão textual: o termo resume e reconecta a sequência descritiva do desejo infantil, funcionando como referência ao elemento fantástico apresentado anteriormente.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo