Questão FC242674
Texto I Gente Humilde Tem certos dias em que eu penso em minha gente E sinto assim todo o meu peito se apertar Porque parece que acontece de repente Feito um desejo de eu viver sem
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
CESGRANRIO · 2018
Texto I
Gente Humilde
Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda, flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar.
SARDINHA, A.A. (Garoto); HOLLANDA, C.B.; MORAES, V. Gente humilde. Intérprete: Chico Buarque. In: C.B. Hollanda nº 4. Direção de produção: Manoel Barebein. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Discos, p1970. 1 disco sonoro. Lado 1, faixa 4.
No Texto I, existe uma relação de sentido, configurada na expressão “igual a como”, que
- confronta os problemas sofridos pela gente na qual o poeta pensa.
- compara a sensação do momento com a sensação que o poeta tem ao visitar o subúrbio.
- explica a razão por que a gente do subúrbio é tão sofrida.
- exclui qualquer ligação direta com o subúrbio, por onde o poeta somente passa.
- inclui o poeta entre os que vivem as dificuldades suburbanas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
“igual a como” funciona como uma locução conjuntiva comparativa: conecta duas imagens/estados e marca semelhança entre elas.
Compare as passagens: “Feito um desejo de eu viver sem me notar” e “Igual a como quando eu passo no subúrbio”. A segunda linha retoma e explica que a sensação presente é análoga àquela experimentada pelo eu‑lírico ao visitar o subúrbio.
Ou seja, trata‑se de uma comparação de sensações — não apenas de cenas; o recurso ressalta que a angústia atual se mostra igual ao sentimento de melancolia/inveja/compadecimento que surge no subúrbio. Daí a pertinência da alternativa indicada.
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