Questão FC242675
Texto II O acendedor de lampiões e nós Outro dia tive uma visão. Uma antevisão. Eu vi o futuro. O futuro estampado no passado. Como São João do Apocalipse, vi descortinar aos meus
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
CESGRANRIO · 2018
Texto II
O acendedor de lampiões e nós
Outro dia tive uma visão. Uma antevisão. Eu vi o futuro. O futuro estampado no passado. Como São João do Apocalipse, vi descortinar aos meus olhos o que vai acontecer, mas que já está acontecendo.
Havia acordado cedo e saí para passear com minha cachorrinha, a meiga Pixie, que volta e meia late de estranhamento sobre as transformações em curso. Pois estava eu e ela perambulando pela vizinhança quando vi chegar o jornaleiro, aquele senhor com uma pilha de jornais, que ia depositando de porta em porta. Fiquei olhando. Ele lá ia cumprindo seu ritual, como antigamente se depositava o pão e o leite nas portas e janelas das casas.
Vou confessar: eu mesmo, menino, trabalhei entregando garrafas de leite aboletado na carroça do ‘seu’ Gamaliel, lá em Juiz de Fora.
E pensei: estou assistindo ao fim de uma época. Daqui a pouco não haverá mais jornaleiro distribuindo jornais de porta em porta. Esse entregador de jornais não sabe, mas é semelhante ao acendedor de lampiões que existia antes de eu nascer. Meus pais falavam dessa figura que surgia no entardecer e acendia nos postes a luz movida a gás, e de manhã vinha apagar a tal chama. [...]
SANT’ANNA, Affonso Romano de. O acendedor de lampiões e nós. Estado de Minas/Correio Brasiliense. 22 ago. 2010. Fragmento.
Ao usar, no título do Texto II, a 1ª pessoa do plural (nós), o autor define um grupo que está relacionado ao acendedor de lampiões.
A leitura do texto permite concluir que componentes desse elemento “nós” são o
- jornaleiro e o entregador de jornais
- jornaleiro e os pais do autor
- autor e a meiga Pixie
- autor e as demais pessoas do seu tempo
- autor quando menino e seu Gamaliel
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Gabarito
D
Comentário do professor
No título, o pronome “nós” estabelece uma inclusão temporal e social: não se refere ao passado remoto, mas a quem vive o presente narrado.
O texto contrapõe o trabalho do jornaleiro contemporâneo ao do acendedor de lampiões do passado, mostrando continuidade de funções sociais em épocas diferentes.
Ao dizer “esse entregador de jornais não sabe, mas é semelhante ao acendedor de lampiões…”, o autor aproxima-se do leitor e coloca-se junto a outras pessoas que observam essa mudança.
Portanto, o elemento “nós” engloba o próprio autor e as demais pessoas que vivem e testemunham a transformação social descrita.
Conclui-se assim que componentes desse “nós” são o autor e as demais pessoas do seu tempo.
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