Questão FC242767
A fala vegetal Não é mistério para os entendidos que há uma linguagem das plantas, ou, para ser mais exato, que a cada planta corresponde uma linguagem. Como a variedade de plantas
Interpretação de Textos (Compreensão)
CESGRANRIO · 2024
A fala vegetal
Não é mistério para os entendidos que há uma linguagem das plantas, ou, para ser mais exato, que a cada planta corresponde uma linguagem. Como a variedade de plantas é infinita, faz-se impossível ao entendimento, por muito atilado que seja, captar todas as vozes de vegetais. E só os mais perspicazes entre os humanos conseguem entender a conversa entre duas plantas de espécies diferentes: cada uma usa o seu vocabulário, como por exemplo num diálogo em que A falasse em espanhol e B respondesse em alemão.
Levindo, jardineiro experiente, chegou a dominar as linguagens que se entrecruzavam no jardim. Um leigo diria que não se escutava nada, salvo o zumbir de moscas e besouros, mas ele chegava a distinguir o suspiro de uma violeta, e suas confidências ao amor-perfeito não eram segredo para os ouvidos daquele homem.
Até que um dia as plantas desconfiaram que estavam sendo espionadas e planejaram a conspiração de silêncio contra Levindo. Passaram a comunicar-se por meio de sinais altamente sigilosos, renovados a cada semana. Em vão o jardineiro se acocorava a noite inteira no jardim, na esperança de decifrar o código. Enlouqueceu. Perdendo o emprego, as coisas não voltaram à normalidade. As plantas haviam esquecido o hábito de conversar direito. Já não se entendiam, brigavam de haste contra haste, muitas se aniquilaram em combate. O jardim foi invadido pelas cabras, que pastaram o restante da vegetação.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
O tema central desse texto pode ser assim resumido:
- As fofocas resultam em discórdia.
- A devoção extrema leva à loucura.
- Os segredos destroem as amizades.
- O trabalho é a chave para o sucesso.
- O desentendimento fragiliza as relações.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A narrativa usa as plantas como metáfora para relações humanas: quando a comunicação deixa de ser transparente, instala-se o mal-estar. O episódio em que as espécies passam a adotar sinais secretos e renováveis mostra como o rompimento do diálogo torna a convivência precária.
Levindo, que antes compreendia esse “vocabulário”, perde a capacidade de participar; a incompreensão gera isolamento e, progressivamente, violência entre as próprias plantas. Esse processo culmina na destruição do jardim, ilustrando o efeito prático do rompimento dos laços.
Portanto, o texto evidencia que o desentendimento e a falta de confiança fragilizam as relações, levando ao desgaste e ao colapso social representado pela ruína do jardim.
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