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Questão FC242811

Texto III Beira-mar Quase fim de longa tarde de verão. Beira do mar no Aterro do Flamengo próximo ao Morro da Viúva, frente para o Pão de Açúcar. Com preguiça, o sol começava a esc

Interpretação de Textos (Compreensão)

CESGRANRIO · 2019

Texto III

 

Beira-mar

 

Quase fim de longa tarde de verão. Beira do mar no Aterro do Flamengo próximo ao Morro da Viúva, frente para o Pão de Açúcar. Com preguiça, o sol começava a esconder-se atrás dos edifícios. Parecia resistir ao chamado da noite. Nas pedras do quebra-mar caniços de pesca moviam-se devagar, ao lento vai e vem do calmo mar de verão. Cercados por quatro ou cinco pescadores de trajes simples ou ordinários, e toscas sandálias de dedo.

 

Bermuda bege de fino brim, tênis e camisa polo de marcas célebres, Ricardo deixara o carro em estacionamento de restaurante nas imediações. Nunca fisgara peixe ali. Olhado com desconfiança. Intruso. Bolsa a tiracolo, balde e vara de dois metros na mão. A boa técnica ensina que o caniço deve ter no máximo dois metros e oitenta centímetros para a chamada pesca de molhes, nome sofisticado para quebra-mar. Ponta de agulha metálica para transmitir à mão do pescador maior sensibilidade à fisgada do peixe. É preciso conhecimento de juiz para enganar peixes.

 

A uma dezena de metros, olhos curiosos viam o intruso montar o caniço. Abriu a bolsa de utensílios.

 

Entre vários rolos de linha, selecionou os de espessura entre quinze e dezoito centésimos de milímetro, ainda fiel à boa técnica.

 

— Na nossa profissão vivemos sempre preocupados e tensos: abertura do mercado, sobe e desce das cotações, situação financeira de cada país mundo afora. Poucas coisas na vida relaxam mais do que pescaria, cheiro de mar trazido pela brisa, e a paisagem marítima — costuma confessar Ricardo na roda dos colegas da financeira onde trabalha.

 

LOPES, L. Nós do Brasil. Rio de Janeiro: Ponteio, 2015, p. 101. Adaptado.

 

A leitura atenta do Texto III mostra que Ricardo

  1. trabalhava no setor de financiamento de material de pesca.
  2. dava pouca importância aos pescadores simples do quebra-mar.
  3. praticava a pesca por diletantismo nas horas de folga ou de lazer.
  4. era um assíduo frequentador da beira do mar no Aterro do Flamengo.
  5. dava mais importância ao ritual de preparação para a pescaria do que ao esporte.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa está correta porque o texto indica que a pesca de Ricardo não é sua profissão, mas uma atividade ligada ao prazer e ao descanso. Ele trabalha "na financeira", e comenta com colegas que a pescaria "relaxa" diante das tensões profissionais.

O narrador também mostra traços de hobby: roupas de cidade, carro deixado em estacionamento e o fato de nunca ter fisgado peixe ali — sinais de que é um praticante ocasional, não um profissional do lugar.

O termo diletantismo descreve precisamente essa prática por gosto, sem compromisso profissional; assim, a leitura confirma que Ricardo pesca nas suas horas de lazer, por recreação e não por trabalho.

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