Questão FC242839
Texto II O Brasil na memória A viagem tem uma estruturalidade típica. Há a escolha do destino, uma finalidade antevista, uma partida e um retorno, um trajeto por lugares, um tempo
Interpretação de Textos (Compreensão)
CESGRANRIO · 2018
Texto II
O Brasil na memória
A viagem tem uma estruturalidade típica. Há a escolha do destino, uma finalidade antevista, uma partida e um retorno, um trajeto por lugares, um tempo de duração. Há situações iniciais e finais, outras intermediárias, numa dimensão linear, e há atores, um dos quais o viajante, que serve de fio condutor entre pessoas, acontecimentos, locais e deslocamentos. Supõe uma subjetividade que se abre ao desconhecido, a perda de referências familiares, o abandono do mesmo pelo diferente, o encontro com o outro e o reencontro consigo mesmo. Em contrapartida, a narrativa de viagem depende em primeiro lugar da memória e de anotações. Seleciona experiências, precisa estabelecer um projeto de narração, não necessariamente cronológico ou causal, torna-se, mesmo sem intenção, um testemunho. E é orientada por perspectivas do narrador-viajante, que incluem seu estilo de vida, sua mentalidade, assim como sua visão de mundo e sua posição de sujeito, ou seja, o local cultural de onde fala.
BORDINI, Maria da Glória. In: Descobrindo o Brasil. Rio de Janeiro:
EdUERJ, 2011, p. 353.
No Texto II, o trecho “perda das referências familiares” está associado à ideia de que a subjetividade de uma viagem “se abre ao desconhecido”.
Isso permite entender que a autora afirma ser possível que uma viagem faça alguém
- observar a paisagem e as pessoas com olhos mais críticos e sensíveis.
- assumir-se como uma pessoa mais aberta às novidades.
- buscar novos relacionamentos afetivos ou culturais.
- desligar-se de seus conhecimentos habituais.
- esquecer-se de sua própria família.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa desligar-se de seus conhecimentos habituais é coerente com o trecho do texto que afirma que a subjetividade da viagem “se abre ao desconhecido” e implica a “perda de referências familiares”.
Ao abrir-se para o diferente, o viajante suspende, ainda que temporariamente, os quadros interpretativos e os saberes rotineiros que orientam sua percepção. Esse afastamento permite enxergar lugares e pessoas sem as categorias prévias que moldam o olhar cotidiano.
Portanto, a ideia de desligamento refere-se a uma suspensão/relativização dos conhecimentos usuais, condição necessária para que ocorra o encontro com o outro e a renovação da perspectiva narradora prevista no texto.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em