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Questão FC242850

Verdades na ficção(a) Quem está acostumado a ler romance e conto não cai tão fácil em conto do vigário. Ou conto de político. Continuo acreditando que um dos melhores antídotos par

Interpretação de Textos (Compreensão)

CESGRANRIO · 2018

Verdades na ficção(a)

 

Quem está acostumado a ler romance e conto não cai tão fácil em conto do vigário. Ou conto de político.

 

Continuo acreditando que um dos melhores antídotos para a mentira é a ficção. Explico o paradoxo: quando lemos na mídia uma versão fantasiosa ou uma deturpação muito bem arranjadinha da realidade(b), somos mais suscetíveis de ser enganados se não estivermos acostumados a ler narrativas literárias, pois estaremos sujeitos ao embuste de acreditar em mentiras sem exigir coerência no relato ou sem atentar para detalhes deixados a descoberto. E no que se refere à psicologia dos personagens, o leitor desavisado é muito mais sujeito a aceitar qualquer versão, sem perceber discrepâncias evidentes mas disfarçadas(c) em embalagens vistosas. Por tudo isso, quem está acostumado a ler romance e conto não cai tão fácil em conto do vigário(d). Ou conto de político. É menos propenso a ser vítima.

 

Movendo-se à vontade nesse universo da narrativa literária, que transfigura a experiência do real e lhe confere sentido, o cidadão que lê literatura tende a ter mais condições de separar o falso do verdadeiro. Liga um sinal de alerta e fica com um pé atrás, diante de mentiras embrulhadas para presente(e), destinadas a defender o indefensável, disfarçadas por papéis coloridos, adesivos brilhantes ou laçarotes de cetim. Percebe melhor quando dentro da caixa está a intenção de obstruir a Justiça, defender privilégios, manipular números, garantir o próprio poder ou salvar a pele. O opaco da enganação se torna transparente.

 

Volto então a um jogo que tenho proposto todo início de ano. Aproveitemos o verão para ler literatura. Romances, contos e até ensaios bem escritos — para quem se sente mais seguro se não tiver de enfrentar de cara uma realidade imaginada. Ótima leitura para eventuais férias. Utilíssima na formação de cidadãos democráticos. Quanto mais lermos, menos nos enganarão. Vá a uma livraria ou biblioteca e escolha um livro.

 

MACHADO, Ana Maria. Verdades na ficção. O Globo, 20 jan. 2018.

Disponível em: <https://oglobo.globo.com/opiniao/verdades-nafi

ccao-22308015>. Acesso em: 18 mar. 2018. (Fragmento).

 

 

A expressão que melhor representa o paradoxo a que se refere a autora logo no início do texto é

  1. “Verdades na ficção”.
  2. “deturpação muito bem arranjadinha da realidade”.
  3. “discrepâncias evidentes mas disfarçadas”.
  4. “conto do vigário”.
  5. “mentiras embrulhadas para presente”.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Paradoxo: a expressão “Verdades na ficção” resume a ideia aparentemente contraditória que a autora apresenta logo no início — isto é, que a ficção (obra inventada, não literal) funciona como um antídoto contra a mentira da vida pública.

Ao destacar esse título, o texto aponta que a prática de ler narrativas desenvolve o senso crítico: o leitor acostumado a distinguir coerência psicológica, rastrear inconsistências e perceber disfarces narrativos fica menos sujeito a aceitar versões enganosas.

Portanto, “Verdades na ficção” sintetiza a tese central: a leitura de ficção revela e ensina a reconhecer verdades ocultas entre aparências, tornando o leitor mais preparado para separar fato de artifício na realidade.

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