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Questão FC242862

Texto I Gente Humilde Tem certos dias em que eu penso em minha gente E sinto assim todo o meu peito se apertar Porque parece que acontece de repente Feito um desejo de eu viver sem

Interpretação de Textos (Compreensão)

CESGRANRIO · 2018

Texto I

 

Gente Humilde

 

Tem certos dias em que eu penso em minha gente

E sinto assim todo o meu peito se apertar

Porque parece que acontece de repente

Feito um desejo de eu viver sem me notar

 

Igual a como quando eu passo no subúrbio

Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar

E aí me dá como uma inveja dessa gente

Que vai em frente sem nem ter com quem contar

 

São casas simples com cadeiras na calçada

E na fachada escrito em cima que é um lar

Pela varanda, flores tristes e baldias

Como a alegria que não tem onde encostar

 

E aí me dá uma tristeza no meu peito

Feito um despeito de eu não ter como lutar

E eu que não creio peço a Deus por minha gente

É gente humilde, que vontade de chorar.

 

SARDINHA, A.A. (Garoto); HOLLANDA, C.B.; MORAES, V. Gente humilde. Intérprete: Chico Buarque. In: C.B. Hollanda nº 4. Direção de produção: Manoel Barebein. Rio de Janeiro: Companhia Brasileira de Discos, p1970. 1 disco sonoro. Lado 1, faixa 4.

 

 

 

No Texto I, o trecho “E aí me dá uma tristeza no meu peito/ Feito um despeito de eu não ter como lutar” expressa a

  1. profunda inveja que o autor tem dos mais pobres.
  2. devastação causada pela limitação material vivenciada pelo autor.
  3. melancolia causada pelo sentimento de impotência do autor.
  4. amargura do autor com a hipocrisia dos homens.
  5. indiferença do autor frente à existência dos mais pobres.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

“E aí me dá uma tristeza no meu peito / Feito um despeito de eu não ter como lutar” revela um estado afetivo marcado pela dor interna diante da realidade alheia.

As palavras tristeza e “vontade de chorar”, somadas ao trecho que indica não ter “como lutar”, apontam para uma sensação persistente de desânimo.

Esse desânimo não é apenas tristeza momentânea: é melancolia — um sentimento mais profundo — gerado pela percepção da própria impotência diante do sofrimento alheio.

Portanto, o verso expressa claramente a melancolia causada pelo sentimento de impotência do eu lírico perante a condição da “gente humilde”.

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