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Questão FC242877

Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair de casa de madrugada e pegar o

Interpretação de Textos (Compreensão)

CESGRANRIO · 2016

Banhos de mar

 

Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife.

 

Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda ainda na escuridão?

 

De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Nós nos vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que assim devia ser: em jejum.

 

Saímos para uma rua toda escura, recebendo a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde. Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem na ponta do banco, e minha felicidade começava. Atravessar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No bonde mesmo o tempo começava a clarear, e uma luz trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o mundo.

 

Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe, um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras da minha família, que de vez em quando me dizia rindo: “Olhe, um porco de verdade.”

 

Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.

 

LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo. São Paulo: Rocco, 1999, p. 175. Adaptado.

 

A leitura atenta do Texto permite sustentar que a narradora

  1. pertencia a uma família que era possuidora de uma casa em Olinda, Recife.
  2. tinha uma alegria enorme quando chegavam as temporadas de banho de mar com a família.
  3. sofria com uma infância infeliz e só se alegrava quando via um porco de verdade.
  4. levantava mais cedo do que toda a família para tomar café e ir logo para a praia.
  5. ficava assustada com o pouco movimento das ruas quase desertas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa está correta porque expressa com precisão a emoção que o texto atribui à narradora: ela sente uma alegria enorme quando chegam as temporadas de banho de mar em família.

O próprio texto afirma: "E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife." Esse trecho é declaração direta de felicidade ligada às viagens em família.

Além disso, a narrativa descreve sinais concretos dessa alegria: o alvoroço que a faz acordar cedo, a expectativa durante a espera do bonde e o prazer de observar o mundo clareando — tudo reforçando que essas temporadas eram fonte de intensa felicidade.

Portanto, a alternativa sintetiza corretamente a ideia central do trecho citado.

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