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Questão FC242888

Texto I “Quando eu for bem velhinho / Bem velhinho, que [precise] usar um bastão / Eu hei de ter um netinho, ah... / Pra me levar pela mão / No carnaval, eu não fico em casa / Eu n

Interpretação de Textos (Compreensão)

CESGRANRIO · 2016

Texto I


“Quando eu for bem velhinho /


Bem velhinho, que [precise] usar um bastão / Eu hei de ter um netinho, ah... / Pra me levar pela mão / No carnaval, eu não fico em casa / Eu não fico, eu vou brincar! / Nem que eu vá me sentar na calçada / Pra ver meu bloco passar...”


Lupicínio Rodrigues — autor de elaboradas e densas canções de amor — surpreende escrevendo, em 1936, ano em que nasci, essa singela e comovente marchinha carnavalesca. Uma raridade que constrói e, ao mesmo tempo, define um carnaval. O carnaval como um ritual — como um encontro necessário, como as festas religiosas e algumas cerimônias cívicas — e não como uma brincadeira da qual se escolhe, livre e individualmente, participar. O carnaval faz parte do calendário religioso católico romano que, mesmo no Brasil republicano, burguês e pós-moderno, continua a ser observado. Hoje, ao lado da Semana Santa e da Semana da Pátria, ele talvez seja mais um feriado festivo do que uma ocasião que coage o nosso comportamento, obrigando à participação, como deixa claro a marchinha de Lupicínio.


Ouvi a música pelo piano de mamãe quando era um menino: supunha-me o netinho que levava o avô pela mão até o seu bloco de carnaval. Hoje, sendo um avô feliz e orgulhoso de cinco lindas moças e três belos rapazes, tenho nada mais nada menos do que 16 mãos dispostas a, amorosamente, me conduzirem ao meu bloco que passa todo ano pela minha calçada.


Leitor querido: se você tiver alguma recordação dessa música, ouça-a. Se você não souber manipular algum aparelho eletrônico, seu netinho o ajuda. E ouvindo a simplicidade dessa tocante canção, você vai ler esta crônica como eu a escrevo: com os olhos molhados dos antigos carnavais.


DAMATTA, R. O Globo, Rio de Janeiro, 10 fev. 2016. Primeiro Caderno, p. 13. Adaptado.

 

A leitura atenta do Texto I permite sustentar que o título dado à crônica

  1. contradiz a informação de que o autor nasceu em 1936.
  2. mostra originalidade no emprego equivocado das aspas.
  3. contém uma homenagem explícita aos bailes de carnaval.
  4. tem continuidade sintática nos versos transcritos no primeiro parágrafo do texto.
  5. é a reprodução de uma frase-feita empregada costumeiramente entre os mais idosos.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Alternativa D está correta: o título funciona como início de uma oração que se prossegue nos versos entre aspas, formando uma única sequência sintática. Em termos práticos, há continuidade sintática porque o enunciado não se interrompe no título; ele é completado logo em seguida pelo trecho musical citado.

O autor reproduz uma marchinha e sinaliza isso com aspas, o que indica que o título não é isolado, mas parte do mesmo enunciado: “Quando eu for bem velhinho / Bem velhinho, que [precise] usar um bastão...”. Assim, a leitura correta exige ligar o título ao parágrafo para obter o sentido completo.

Portanto, a caracterização de continuidade sintática é sustentada tanto pela estrutura frasal quanto pela apresentação tipográfica do excerto.

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