Questão FC242950
Texto I Capítulo I À primeira vista parecia um homem comum. Nada de particular que o diferençasse dos outros. Estatura mediana, pele azeitonada e curtida pelo sol, cabelos pretos e
Interpretação de Textos (Compreensão)
CESGRANRIO · 2015
Texto I
Capítulo I
À primeira vista parecia um homem comum. Nada de particular que o diferençasse dos outros. Estatura mediana, pele azeitonada e curtida pelo sol, cabelos pretos e lisos, olhos negros e penetrantes. Um autêntico caboclo. Nem ao menos uma cicatriz na cara para chamar a atenção. Talvez (só que aí era preciso ser mais atento) seu rosto denunciasse um certo cansaço. Mas também só enquanto sério, pois quando sorria sua face se iluminava. Pena que sorrisse pouco. Rir ou gargalhar isso nunca se viu. Seu semblante era sempre circunspecto, pensativo. Aparentava uns quarenta anos. Podia até ter menos, mas era isso que aparentava. Os moradores da Vila das Marrecas tratavam-no com uma espécie de respeito quase místico, pois dele parecia brotar um singular magnetismo. Talvez pelo seu jeito de falar, de ouvir, de olhar. Expressava-se com moderação e sua voz jamais se alterava. Falava sempre baixo, mas suas palavras soavam audíveis. Através delas transmitia uma espécie de sabedoria dolorida, como se tivesse aprendido as lições da vida pela força das dificuldades e sofrimentos.
Enquanto viveu no vilarejo, afora a maneira respeitosa com que era tratado, nenhum outro tributo lhe rendiam. Era um igual. Não incomodava ninguém e ninguém o incomodava. Levava sua vida como um eremita. Mas isso não era novidade na Vila das Marrecas, pois todos viviam fechados dentro de si mesmos. Era o modo de viver daquele pequeno povoado. Parece que cada um estava mais preocupado em sobreviver no meio da pobreza dividida por todos. Carregavam seus fardos, conformados, sem revoltas, nem contra os semelhantes, nem contra as forças do alto. Era assim mesmo, diziam.
FARO, Roberto Carvalho de. Arrastado pela correnteza. Belém: Paka-Tatu, 2012, p. 9-10. Adaptado.
O narrador diz que “era preciso ser mais atento” quando se refere a “um certo cansaço” denunciado no rosto do personagem porque, no Texto I, como o cansaço
- deixa as pessoas abatidas, fica simples perceber as marcas que ele deixa no rosto.
- é algo mais psicológico do que físico, nem sempre se vêem suas consequências.
- não é um traço físico, percebê-lo no rosto de alguém exige observação e sensibilidade.
- pode ser passageiro, o rosto envelhecido das pessoas pode dar a impressão de que elas estão cansadas.
- interfere mais no rendimento do que na aparência, é preciso ter atenção para percebê-lo no rosto de alguém.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
No trecho, a expressão "(só que aí era preciso ser mais atento)" funciona como um comentário do narrador que sinaliza que o suposto cansaço não salta aos olhos como um sinal físico óbvio.
O texto descreve atitudes, olhar e silêncio do personagem — traços de comportamento — e não marcas corpóreas explícitas. Assim, o cansaço aparece como uma impressão sutil do rosto e do porte.
Perceber essa nuance exige observação detalhada e sensibilidade para captar expressões, postura e a «sabedoria dolorida» que o narrador atribui ao homem. Por isso o narrador ressalta a necessidade de atenção.
Em suma, o enunciado aponta que o cansaço é um traço indireto e interpretativo, detectável apenas por quem observa com cuidado.
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