Questão FC242996
Velhas casas Tenho um amigo arquiteto que gosta de me falar de velhas casas brasileiras, da simplicidade e do gosto dos antigos mestres de obra, dos homens práticos que encheram o
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
CESGRANRIO · 2018
Velhas casas
Tenho um amigo arquiteto que gosta de me falar de velhas casas brasileiras, da simplicidade e do gosto dos antigos mestres de obra, dos homens práticos que encheram o Brasil de casarões, de igrejas, de cidades.
O meu amigo vê a casa como um técnico, um especialista, o homem que ama a sua profissão. Com ele andei pelos solares de Vassouras. E vi e senti o seu entusiasmo diante dos velhos sobrados do café. As soluções encontradas pelos antigos, a sobriedade, a solidez, a marca do lusitano transplantado, sempre mereciam dele uma crítica de quem admirava tudo e, às vezes, se espantava. Havia, de fato, grandeza no que aquela gente fizera.
Sérgio Buarque de Hollanda fala no caráter empírico das cidades portuguesas da América. Em confronto com os espanhóis, os portugueses fundaram as suas cidades com liberdade, dando mais vida, mais força aos seus criadores. O instinto, a intuição, a necessidade de viver comandava-os. Não seriam conduzidos por urbanistas, seriam levados pela necessidade, pelo arrojo, pelos fatos. Mas esta energia nunca se desmandou. As casas portuguesas nunca seriam um despropósito. Havia na arquitetura que eles nos legaram um toque de sobriedade que é uma maravilha de equilíbrio. O barroco, que se excedera nos interiores das igrejas, contivera-se nos exteriores. Era até aí de uma simplicidade tocante. Na arquitetura residencial quase que ele não se fez sentir. A pureza de linhas, o gosto, o chão dos nossos sobrados falam de homens que amavam mais a solidez do que o ornato. Os mestres de obras não eram individualistas, artistas que quisessem dar um sinal de sua personalidade. Eles edificavam, construíam.
REGO, José Lins do. In: O Cravo de Mozart é eterno: crônicas e ensaios. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004, p. 303-4. Adaptado.
Considere o trecho transcrito a seguir: “Havia, de fato, grandeza no que aquela gente fizera.”
A seguinte reescritura desse trecho altera seu sentido:
- Havia, de fato, grandeza no que aquela gente tinha feito.
- Havia, sim, grandeza no que aquela gente fizera.
- Havia, de fato, grandeza naquilo que aquela gente fizera.
- Havia, de fato, astúcia no que aquela gente fizera.
- Havia, de fato, grandeza no que aquelas pessoas fizeram.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Ao trocar a palavra grandeza por astúcia, a reescritura altera o sentido do enunciado.
Havia, de fato, grandeza no que aquela gente fizera. valoriza a nobreza, a importância e o mérito das obras; evoca admiração pela solidez e pelo equilíbrio arquitetônico. Já a versão proposta — Havia, de fato, astúcia no que aquela gente fizera. — sugere esperteza ou artimanha, isto é, habilidade para enganar ou obter vantagem.
O elemento “de fato” mantém apenas a ênfase, mas não compensa a mudança semântica do substantivo. Portanto, a substituição não é equivalente: altera a apreciação de admiração para suspeita ou cálculo.
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