Questão FC243014
Texto I Capítulo I À primeira vista parecia um homem comum. Nada de particular que o diferençasse dos outros. Estatura mediana, pele azeitonada e curtida pelo sol, cabelos pretos e
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
CESGRANRIO · 2015
Texto I
Capítulo I
À primeira vista parecia um homem comum. Nada de particular que o diferençasse dos outros. Estatura mediana, pele azeitonada e curtida pelo sol, cabelos pretos e lisos, olhos negros e penetrantes. Um autêntico caboclo. Nem ao menos uma cicatriz na cara para chamar a atenção. Talvez (só que aí era preciso ser mais atento) seu rosto denunciasse um certo cansaço. Mas também só enquanto sério, pois quando sorria sua face se iluminava. Pena que sorrisse pouco. Rir ou gargalhar isso nunca se viu. Seu semblante era sempre circunspecto, pensativo. Aparentava uns quarenta anos. Podia até ter menos, mas era isso que aparentava. Os moradores da Vila das Marrecas tratavam-no com uma espécie de respeito quase místico, pois dele parecia brotar um singular magnetismo. Talvez pelo seu jeito de falar, de ouvir, de olhar. Expressava-se com moderação e sua voz jamais se alterava. Falava sempre baixo, mas suas palavras soavam audíveis. Através delas transmitia uma espécie de sabedoria dolorida, como se tivesse aprendido as lições da vida pela força das dificuldades e sofrimentos.
Enquanto viveu no vilarejo, afora a maneira respeitosa com que era tratado, nenhum outro tributo lhe rendiam. Era um igual. Não incomodava ninguém e ninguém o incomodava. Levava sua vida como um eremita. Mas isso não era novidade na Vila das Marrecas, pois todos viviam fechados dentro de si mesmos. Era o modo de viver daquele pequeno povoado. Parece que cada um estava mais preocupado em sobreviver no meio da pobreza dividida por todos. Carregavam seus fardos, conformados, sem revoltas, nem contra os semelhantes, nem contra as forças do alto. Era assim mesmo, diziam.
FARO, Roberto Carvalho de. Arrastado pela correnteza. Belém: Paka-Tatu, 2012, p. 9-10. Adaptado.
“Rir ou gargalhar, isso nunca se viu.”
A seguinte reescritura desse trecho do Texto I contém um desvio de concordância:
- Risos e gargalhadas nunca se viram.
- Risos ou gargalhadas, isso nunca se viu.
- Risos nem gargalhadas, isso nunca se viu.
- Nunca se viu risos nem gargalhadas.
- Nunca se viu isto: risos ou gargalhadas.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa D é o gabarito porque apresenta um desvio de concordância.
Na frase "Nunca se viu risos nem gargalhadas", o núcleo do sujeito é composto: risos e gargalhadas, ligados por nem. Assim, o verbo deve concordar com esse sujeito plural, ficando viram, não viu.
Regra prática: quando os núcleos do sujeito composto estão ligados por nem (ou por "e"/"ou" em contextos equivalentes), o verbo flexiona no plural.
Também é importante notar que a presença do pronome se não torna a oração impessoal quando há sujeito expresso depois do verbo; prevalece a concordância com o sujeito expresso.
Forma correta: Nunca se viram risos nem gargalhadas.
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