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Questão FC243943

Texto IV Pedocracia: A ditadura das crianças que mandam nos pais As birras, as pirraças, os gritos, os gestos agressivos, as palavras ofensivas são o que normalmente se caracteriza

Ortografia

IDECAN · 2022

Texto IV

Pedocracia: A ditadura das crianças que mandam nos pais

As birras, as pirraças, os gritos, os gestos agressivos, as palavras ofensivas são o que normalmente se caracterizam como as crianças ‘donas da casa’. A infantolatria foi o nome dado à ‘ditadura’ de crianças que não aceitam ouvir ‘não’, querem tudo do jeito e na hora delas. Mas em que momento isso passou a ser normal? A psicanalista Marcia Neder, autora de “Déspotas Mirins, o poder nas novas famílias”, da Zagodoni Editora, em entrevista ao “Saia Justa”, chama o fenômeno de pedocracia e nos dá algumas orientações.

 

“A pedocracia é alimentada pela idealização da maternidade. Qual é o ideal que temos da maternidade? O de uma mãe que abre a mão da sua vida para se dedicar ao filho. Por que as mães embarcam na idealização, por que se sentem santas mães proibidas de ter raiva, de perder a paciência? Aí vem uma culpa fenomenal. Acima da dor dela, tem o que ela aprendeu, que é a suprema felicidade e bem-estar do seu filho”, explica a especialista.

 

Segundo ela, na atual cultura de idolatração dos filhos, eles precisam se sentir amados pelos pais. “E eles dizem que ‘se não dermos alguma coisa a eles, eles ficam chateados e dizem que não amam a gente’. É uma inversão total de valores”, reforça Neder.

 

“É mais fácil deixar a criança ser rei. É mais fácil do que aguentar o chilique. Dá trabalho educar. Para evitar isso, querem tudo do jeito e na hora delas. Se você não estabelece desde o início, tentar estabelecer depois fica complicado”, sugere.

 

“O processo de mudança nos conceitos de família, iniciado no século XVIII por Jean-Jacques Rousseau, chegou ao século XX com a ‘religião da maternidade’, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. Instituiu-se o que é uma boa mãe sob a crença de que ela é responsável e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e fará. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século XXI como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria”, elucida a especialista.

 

A definição de infantolatria por Marcia Neder consiste em “a instituição da mãe como súdita do filho e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança”. E     Exime        ¹ a criança de qualquer responsabilidade sobre o seu comportamento: “Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiar. Se isso acontece, é porque os pais promovem”.

 

Ainda reforça: na fase adulta, esse filho cobrará dos pais. “Ele olhará ao redor e verá outras pessoas se realizando independentemente dele. A criança que acha que o mundo tem que parar para ela passar não consegue imaginar isso acontecendo e não está preparada para lidar com a menor das frustrações. Em algum ponto, acusará os pais de terem sido omissos”.

 

Disponível em: https://www.revistapazes.com –Texto adaptado.

 

Considere as afirmativas a seguir:

 

Otávio Luíz foi              na prova do ENEM.

Hoje tive um             presságio.

Antônio padece de um              incurável.

 

Assinale a alternativa que preencha as respectivas lacunas de acordo com a grafia correta.

  1. mal – mau – mal
  2. mau – mal – mau
  3. mal – mal – mau
  4. mau – mau – mal
  5. mal – mal – mal
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Gabarito

A

Comentário do professor

Resposta correta: mal – mau – mal.

Otávio Luiz foi mal na prova do ENEM. Aqui mal é advérbio, indica modo/qualidade da ação (foi mal = teve desempenho ruim) e relaciona-se ao verbo.

Hoje tive um mau presságio. Nesta lacuna mau é adjetivo, qualifica o substantivo presságio (presságio que é ruim).

Antônio padece de um mal incurável. Aqui mal é substantivo (doença/sofrimento); o adjetivo incurável caracteriza esse substantivo.

Regra prática: use mal quando modifica verbo ou funciona como substantivo; use mau quando qualifica um substantivo.

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