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Questão FC244046

Texto IV Pedocracia: A ditadura das crianças que mandam nos pais As birras, as pirraças, os gritos, os gestos agressivos, as palavras ofensivas são o que normalmente se caracteriza

Ortografia

IDECAN · 2022

Texto IV

Pedocracia: A ditadura das crianças que mandam nos pais

As birras, as pirraças, os gritos, os gestos agressivos, as palavras ofensivas são o que normalmente se caracterizam como as crianças ‘donas da casa’. A infantolatria foi o nome dado à ‘ditadura’ de crianças que não aceitam ouvir ‘não’, querem tudo do jeito e na hora delas. Mas em que momento isso passou a ser normal? A psicanalista Marcia Neder, autora de “Déspotas Mirins, o poder nas novas famílias”, da Zagodoni Editora, em entrevista ao “Saia Justa”, chama o fenômeno de pedocracia e nos dá algumas orientações.

 

“A pedocracia é alimentada pela idealização da maternidade. Qual é o ideal que temos da maternidade? O de uma mãe que abre a mão da sua vida para se dedicar ao filho. Por que as mães embarcam na idealização, por que se sentem santas mães proibidas de ter raiva, de perder a paciência? Aí vem uma culpa fenomenal. Acima da dor dela, tem o que ela aprendeu, que é a suprema felicidade e bem-estar do seu filho”, explica a especialista.

 

Segundo ela, na atual cultura de idolatração dos filhos, eles precisam se sentir amados pelos pais. “E eles dizem que ‘se não dermos alguma coisa a eles, eles ficam chateados e dizem que não amam a gente’. É uma inversão total de valores”, reforça Neder.

 

“É mais fácil deixar a criança ser rei. É mais fácil do que aguentar o chilique. Dá trabalho educar. Para evitar isso, querem tudo do jeito e na hora delas. Se você não estabelece desde o início, tentar estabelecer depois fica complicado”, sugere.

 

“O processo de mudança nos conceitos de família, iniciado no século XVIII por Jean-Jacques Rousseau, chegou ao século XX com a ‘religião da maternidade’, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. Instituiu-se o que é uma boa mãe sob a crença de que ela é responsável e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e fará. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século XXI como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria”, elucida a especialista.

 

A definição de infantolatria por Marcia Neder consiste em “a instituição da mãe como súdita do filho e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança”. E     Exime        ¹ a criança de qualquer responsabilidade sobre o seu comportamento: “Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiar. Se isso acontece, é porque os pais promovem”.

 

Ainda reforça: na fase adulta, esse filho cobrará dos pais. “Ele olhará ao redor e verá outras pessoas se realizando independentemente dele. A criança que acha que o mundo tem que parar para ela passar não consegue imaginar isso acontecendo e não está preparada para lidar com a menor das frustrações. Em algum ponto, acusará os pais de terem sido omissos”.

 

Disponível em: https://www.revistapazes.com –Texto adaptado.

 

Assinale a alternativa que apresentem apenas palavras com as respectivas grafias e acentuações corretas.

  1. cozer, cisão, despauterio.
  2. coser, cingir, amálgama.
  3. senso, ceção, anátema.
  4. sede, susseção, hipótese.
  5. suado, aventar, intinerário.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Coser: verbo que significa dar pontos, costurar. Grafia com s é a forma correta para essa ação; não recebe acento, pois sua tonicidade e terminação não exigem marcação.

Cingir: verbo que indica apertar em torno, rodear ou atar; conserva o g em sua raiz (de onde derivam formas como cinge), e também não leva acento gráfico conforme as regras de acentuação.

Amálgama: substantivo que designa junção ou mistura (e, na química, liga de mercúrio com outros metais). É palavra proparoxítona, logo obrigatoriamente acentuada na sílaba tônica inicial: a-má-lga-ma.

Portanto, a alternativa traz três lexemas com grafia e acentuação corretas, observando as regras morfológicas e de tonicidade do português.

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