Questão FC244245
— Queria mantê-lo assim — continuou amargamente — até que nós dois morrêssemos! Não me importava que você sofresse. Pouco me importo com os seus sofrimentos. Por que não há de você
Morfologia
IDECAN · 2022
TEXTO I
Catherine e Heathcliff
[...] Catherine fitava a porta do quarto com uma intensidade ávida. E como Heathcliff não atinava logo com a entrada do aposento onde estávamos, ela me fez um gesto para o introduzir. Quando, porém, me aproximei da porta, já ele a alcançara; num ou dois passos chegou ao lado da moça e a tomou nos braços.
Durante uns cinco minutos Heathcliff não falou nem soltou sua presa; e naquele momento gastou decerto mais beijos do que todos que já dera antes, na vida inteira. Fora, porém, Catherine que o beijara primeiro; vi claramente que ele mal podia suportar olhá-la no rosto, consumido de dor. No instante em que a abraçou, convenceu-se, igual a mim, “de que não havia ali esperança de cura”, de que ela já estava irremediavelmente fadada à morte.
— Oh, Cathy! Oh, minha vida! Como hei de suportar isto? — foi a primeira frase que ele disse, sem cuidar em esconder o seu desespero. Depois olhou-a com tal intensidade que, pensei, tanta força de olhar lhe haveria de encher os olhos de lágrimas; seus olhos, porém, queimavam de angústia e não se umedeceram.
[...] Heathcliff dobrara um joelho a fim de abraçá-la. Procurou erguer-se; ela, entretanto, o segurou pelos cabelos, mantendo-o preso.
— Queria mantê-lo assim — continuou amargamente — até que nós dois morrêssemos! Não me importava que você sofresse. Pouco me importo com os seus sofrimentos. Por que não há de você sofrer? Eu sofro! Quer me esquecer? Há de ser feliz depois que eu estiver debaixo da terra?
[...] — Não me torture, até me pôr tão louco quanto você! — bradou ele, libertando a cabeça e rilhando (trincando) os dentes. Para um espectador indiferente, compunham os dois um quadro estranho e assustador.
[...] As faces brancas, os lábios exangues (sem sangue), o olhar faiscante, exprimiam uma selvagem sede de vingança; nos dedos crispados ainda tinha um pouco dos cabelos que agarrara. Quanto a Heathcliff, erguera-se apoiado a uma das mãos, mas com a outra lhe segurava o braço; ao soltá-lo, deixou quatro marcas bem nítidas na pele descorada: bem precária era a sua reserva de doçura em relação à fragilidade do estado de sua amada.
BRONTË, Emily. O morro dos ventos uivantes.
Tradução de Rachel de Queiroz. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 2004. p. 191-193. (Fragmento).
Assinale o item que completa corretamente a conjugação do verbo ver no futuro do subjuntivo.
Quando eu o carteiro avisarei sua tia.
- vê.
- ver.
- ve.
- vir.
- vi.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A forma correta é vir, que corresponde à 1.ª pessoa do singular do futuro do subjuntivo do verbo ver. Assim, a oração temporal condicional iniciada por quando exige essa forma.
A formação do futuro do subjuntivo procede a partir do pretérito perfeito da 3.ª pessoa do plural: viram. Eliminando o sufixo -am, obtém‑se a base vir, usada em todas as pessoas do singular e em algumas do plural (ex.: quando eu vir, quando ele vir).
Exemplo de aplicação: Quando eu vir, o carteiro avisarei sua tia. Nesse contexto, o futuro do subjuntivo indica uma ação futura condicionada à ocorrência indicada pela oração subordinada.
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