FC ConcursosFC Concursos

Questão FC244249

Texto para a questão. Cultura alimentar nas políticas culturais do Brasil Ao ideia de que "comida é cultura" talvez seja facilmente compreendida, pois o ato de se alimentar constró

Morfologia

IDECAN · 2021

Texto para a questão.

 

Cultura alimentar nas políticas culturais do Brasil

 

Ao ideia de que "comida é cultura" talvez seja facilmente compreendida, pois o ato de se alimentar constrói sentidos, significados, memórias, silenciamentos, violência, opressões apagamentos em cada individuo e na coletividade. A cultura, assim como a comida, por estar presente em diferentes dimensões da vida e das prática sociais, corre o risco de, muitas vezes, ser deslocada e realocada na produção de conhecimento e na ação política. Com Isso, desconsidera-se a centralidade da cultura no desenvolvimento da humanidade, que vai desde o surgimento da técnica e da linguagem à sua Inclusão nas poIíticas públicas.

 

O antropólogo Jesus Contreras e antropóloga Mabel Gracia. compreendem a cultura alimentar como um conjunto de representações, crenças, conhecimentos e práticas. Pode ser herdada ou aprendida esta associada à alimentação compartilhada por individuos de uma cultura. De Igual forma, a compartilharmos uma cultura, Contreras e Gracia afirmam que tendemos a atuar de forma similar como fazemos com a comida, ou seja, somos guiados por orientações, preferências e sanções autorizadas por determinada cultura.

 

Em diálogo com essa perspectiva, a antropóloga Maria Emília Pacheco, assessora da ONG Fase a integrante do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), enfatiza o papel substantivo e político da cultura nos sistemas alimentares, e não como um adjetivo. Considera que a alimentação se expressa em representações, envolve escolhas, símbolos e classificações que mostram as visões sobre a história e as tradições alimentares.

 

É também no contexto histórico de lutas por direitos sociais que o sentido político da cultura vem sendo construido. Em 2016, a carta política do II Seminário Nacional de Educação em Agroecologia, organizado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), destacou a cultura como “elemento político de diálogo com os territórios, uma vez que é a representação da diversidade e dos saberes populares” e a definiu como memória por denotar a necessidade de reconhecer os saberes ancestrais, aprender com eles e renová-los.

 

Essas ideias sobre a cultura dialogam com as do pensador francês Edgar Morin; ao entendê- la como “memória generativa depositária das regras de organização social, ela É fonte produtora de saberes, competências e programas de comportamento". Morin a considera como um patrimônio informacional, pois organiza a experiência humana. De acordo com esse autor, a cultura abrange os conhecimentos acumulados por gerações sobre o ambiente, o clima, as plantas, os animais, as técnicas do corpo, as técnicas de fabricação e de manejo dos artefatos, as crenças, a visão de mundo etc., em que se retempera e se regenera a comunidade.

 

Morin afirma que a cultura fornece ao pensamento suas condições de formação e concepção. Para esse pensador, à cultura e a sociedade, via cultura, estão no interior do conhecimento humano e produz conhecimento. A comida é uma prática cultural que contribui para enxergar a complexidade da vida é a condição humana no seu conjunto - ecossistema é biosfera. Alimenta todo o complexo vivo do nosso organismo, das células às moléculas. Nutre a mente, as redes neuronais, psíquicas, sociais e espirituais. É uma via concreta - é comestível - para compreender o mundo é nos auxiliar na criação da estratégias para intervir em realidades.

 

Ao longo dos últimos 20 anos, diferentes povos e organizações da sociedade civil têm forjado coletivamente a compreensão do que entendem por cultura alimentar, bem como têm criado estratégias para sua inserção nas políticas públicas. À essas concepções de cultura, geradas nas lutas sociais e com pensadores da complexidade e das ciências sociais, trazemos a reflexão sobre o lugar da comida nas políticas culturais no Brasil.

 

(...)

(Juliana Dias e André Luza. Le Monde Diplomafique, 30 de novembro de 2020, com alterações)

 

É uma via concreta - e comestível - para compreender o mundo e nos auxiliar na criação de estratégias para intervir em realidades.

 

Assinale a alternativa em que NÃO se tenha mantido correção gramatical ao se transformar o segmento sublinhado do período acima. Não leve em conta alterações de sentido.

  1. que interviriam em realidades
  2. que intervieram em realidades
  3. que intervirão em realidades
  4. que tinham intervindo em realidades
  5. que Intervissem em realidades
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa E apresenta intervissem, forma incorreta porque o verbo intervir é derivado de vir e conserva seu radical. Assim, deve conjugar-se seguindo os modelos deste verbo.

Compare: eles vieram → eles intervieram; no subjuntivo: queria que eles viessem → queria que eles interviessem.

Portanto, a forma adequada para o pretérito imperfeito do subjuntivo é interviessem, não intervissem. A alternativa E, ao usar intervissem, não mantém a correção gramatical exigida pela preservação do radical de vir.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo