Questão FC244466
Três graves equívocos no debate sobre a polarização Há pelo menos três graves equívocos no debate sobre polarização. O primeiro é supor que ela exige algum grau de simetria entre p
Colocação Pronominal
IDECAN · 2024
Três graves equívocos no debate sobre a polarização
Há pelo menos três graves equívocos no debate sobre polarização. O primeiro é supor que ela exige algum grau de simetria entre posições polares. Alguns argumentam que não há polarização nos EUA porque Biden é centrista. A confusão origina-se na falta de compreensão quanto ao conceito de mediana, muitas vezes entendida como centro.
A mediana de uma distribuição de preferências políticas pode estar ou não no valor central, digamos 5 em uma escala de 1 a 10 (onde 10 é extrema direita e 1, extrema esquerda). Não importa a escala − se baseada no autoposicionamento ou métricas objetivas − a mediana é o ponto que divide o eleitorado em duas partes iguais: metade à esquerda deste ponto e metade à direita.
Segundo o Latinobarometro/Eurobarometro (2023), a mediana está à direita do centro, por exemplo, na Polônia, Brasil e Finlândia − é superior a 6; ou muito mais à direita dele em El Salvador e Montenegro, girando em torno de 7. Em outros está à esquerda (Espanha). A polarização assimétrica nestes casos ocorre entre grupos com posições centrais na escala e um dos polos, e não entre estes últimos. Se a mediana estiver em cerca de 3, posições em 6 será percebida como "fascista".
Uma tendência universal, em eleições majoritárias ou no voto distrital, é que haja uma convergência ideológica dos competidores para a mediana de preferências (não para o centro!). Mas a convergência tem dado lugar a tendências centrípetas.
O segundo equívoco é confundir as dimensões do conflito político (economia, pauta de costumes, etnia, etc.), reduzindo-os a uma dimensão. O equívoco não permite entender a similaridade de posições em relação à economia ou gasto social entre esquerda e direita radicais, etc. Como sabemos, o conflito político tornou-se crescentemente mais multidimensional.
O terceiro é desconsiderar que a polarização não se reduz a questões programáticas. Dados para os EUA mostram certa estabilidade no posicionamento de democratas e republicanos em relação às políticas públicas, mas mudança radical na forma em que percebem uns aos outros.
A divergência no Brasil também é mínima: envolve posse de armas e educação sexual.
A polarização tornou-se afetiva, assentando-se em emoções negativas (desconfiança, desprezo, aversão) dirigidas a grupos políticos rivais.
A métrica mais comum para medi-la é a diferença entre os escores de simpatia para seu próprio partido e rejeição quanto aos rivais.
Embora concordem em relação às políticas, crescentemente abominam a possibilidade que seus filhos casem com adversários políticos.
A geometria política não é simplória.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/
A métrica mais comum para medi-la é a diferença entre os escores de simpatia para seu próprio partido e rejeição quanto aos rivais.
No período acima, fez-se corretamente a junção do pronome ao verbo. Assinale a alternativa em que isso igualmente tenha acontecido.
- compraste-los
- quisemo-lhes
- encontrar-las
- compro-los
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Gabarito
A
Comentário do professor
Compraste-los está correta porque obedece à regra da ênclise para pronomes átonos após formas verbais ofensivas à junção.
A regra relevante: quando o pronome oblíquo átono o(s)/a(s) junta-se a um verbo cuja terminação exige supressão consonantal, o pronome assume as formas lo(s) ou la(s). Nesse processo, há adaptação e ligação por hífen.
Aplicando: forma verbal + pronome → compraste + os = compraste-los, grafada com hífen, evidenciando a ênclise e a adaptação do pronome.
Portanto, a escrita compraste-los representa a junção adequada do verbo com o pronome oblíquo em posição enclítica.
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