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Muitas pessoas compartilharam vídeos nas redes sociais sobre como dormir mais rápido, evocando “cenários falsos”, como uma história romântica na qual você é o protagonista. Mas o q

Semântica

IDECAN · 2024

Você está na cama, tentando dormir e seus pensamentos não param. Seu cérebro está ocupado fazendo planos detalhados para o dia seguinte, repetindo momentos vergonhosos (“por que eu disse isso ou aquilo?”) ou produzindo pensamentos aleatórios (“onde está minha certidão de nascimento?”).

 

Muitas pessoas compartilharam vídeos nas redes sociais sobre como dormir mais rápido, evocando “cenários falsos”, como uma história romântica na qual você é o protagonista. Mas o que a ciência diz sobre isso? O que pensamos antes de dormir tem alguma influência nas nossas noites de sono?

 

Pessoas que dormem bem dizem ter principalmente imagens sensoriais visuais ao adormecer (elas veem pessoas e objetos e têm experiências semelhantes às de um sonho).

 

Elas podem ter menos pensamentos organizados e mais experiências alucinatórias, como imaginar que estão participando de eventos do mundo real. Para pessoas com insônia, os pensamentos antes de dormir tendem a ser menos visuais e mais focados no planejamento e na resolução de problemas reais. Esses pensamentos são geralmente menos agradáveis e menos aleatórios em comparação com os de pessoas que dormem bem.

 

Pessoas com insônia também têm maior probabilidade de ficar estressadas com o sono quando tentam dormir, o que leva a um ciclo vicioso, já que fazem um esforço para tentar dormir e ficam ainda mais acordadas. Quem tem insônia frequentemente relata preocupação, planejamento ou pensamento em coisas importantes na hora de dormir. Elas também se concentram em problemas ou ruídos no ambiente e têm uma preocupação geral por não dormir. Infelizmente, toda essa atividade mental prévia pode impedir que você adormeça.

 

Um estudo revelou que pessoas que normalmente dormem bem podem ter problemas para cair no sono se estiverem estressadas com alguma coisa ao se deitar (como ter que fazer um discurso na manhã seguinte). Mesmo níveis moderados de estresse na hora de dormir podem afetar seu sono naquela noite.

 

Outro estudo com 400 jovens adultos investigou como programas e séries de TV podem afetar o sono. Os pesquisadores descobriram que níveis mais elevados de compulsão alimentar estão associados a uma pior qualidade do sono, mais fadiga e um aumento nos sintomas de insônia. A “excitação cognitiva”, ou ativação mental, desencadeada por uma narrativa interessante e identificação com personagens, também podem desempenhar um papel nesse sentido.

 

A boa notícia é que existem técnicas que você pode usar para mudar o estilo e o conteúdo dos seus pensamentos antes de dormir. Isso pode ajudá-lo a reduzir a excitação cognitiva noturna ou substituir pensamentos indesejados por outros mais agradáveis. Essas técnicas são chamadas de “reorientação cognitiva”.

 

A reorientação cognitiva, desenvolvida pelo psicólogo e pesquisador americano Les A. Gellis, consiste em se distrair com pensamentos agradáveis antes de dormir. São como os “cenários falsos” que as pessoas publicam nas redes sociais, mas o truque é pensar em uma situação que não seja tão interessante.

 

JACKSON, Melinda; MEAKLIM, Hailey. São Paulo: The Conversation Brasil /BBC News Brasil, 2023

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl3vpk2rdgo (adaptado).

 

Na sentença: “Um estudo revelou que pessoas que normalmente dormem bem podem ter problemas para cair no sono…”, o uso do termo “cair” é utilizado para

  1. apresentar sentido figurado, utilizando linguagem conotativa.
  2. reforçar a ideia denotativa de que cair no sono é adormecer.
  3. indicar que esse termo é sinônimo de adormecer.
  4. esclarecer que esse termo é parônimo de dormir.
  5. mostrar que essa palavra é polissêmica.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na frase, o verbo cair integra a locução “cair no sono”, que não descreve literalmente um ato de queda, mas o início do processo de dormir. Assim, foi empregado em sentido figurado, ou seja, com valor conotativo.

O uso conotativo ocorre quando uma palavra assume um sentido transferido por contexto, distante de seu significado primário. Aqui, cair sugere a transição para o sono, equivalendo a adormecer, sem implicar movimento físico.

Expressões como “chover aplausos” ajudam a entender: não há chuva literal, mas uma imagem que comunica intensidade. Do mesmo modo, “cair no sono” é uma imagem linguística que facilita a compreensão sensorial do ato de adormecer.

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