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Questão FC244617

Texto para a questão. Cultura alimentar nas políticas culturais do Brasil Ao ideia de que "comida é cultura" talvez seja facilmente compreendida, pois o ato de se alimentar constró

Sintaxe

IDECAN · 2021

Texto para a questão.

 

Cultura alimentar nas políticas culturais do Brasil

 

Ao ideia de que "comida é cultura" talvez seja facilmente compreendida, pois o ato de se alimentar constrói sentidos, significados, memórias, silenciamentos, violência, opressões apagamentos em cada individuo e na coletividade. A cultura, assim como a comida, por estar presente em diferentes dimensões da vida e das prática sociais, corre o risco de, muitas vezes, ser deslocada e realocada na produção de conhecimentoa e na ação política. Com Isso, desconsidera-se a centralidade da cultura no desenvolvimento da humanidade, que vai desde o surgimento da técnicab e da linguagem à sua Inclusão nas poIíticas públicas.

 

O antropólogo Jesus Contreras e antropóloga Mabel Gracia. compreendem a cultura alimentar como um conjunto de representações, crenças, conhecimentos e práticas. Pode ser herdada ou aprendida esta associada à alimentação compartilhada por individuos de uma culturac. De Igual forma, a compartilharmos uma cultura, Contreras e Gracia afirmam que tendemos a atuar de forma similar como fazemos com a comida, ou seja, somos guiados por orientações, preferências e sanções autorizadas por determinada cultura.

 

Em diálogo com essa perspectiva, a antropóloga Maria Emília Pacheco, assessora da ONG Fase a integrante do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), enfatiza o papel substantivo e político da cultura nos sistemas alimentares, e não como um adjetivo. Considera que a alimentação se expressa em representações, envolve escolhas, símbolos e classificações que mostram as visões sobre a história e as tradições alimentares.

 

É também no contexto histórico de lutas por direitos sociais que o sentido político da cultura vem sendo construido. Em 2016, a carta política do II Seminário Nacional de Educação em Agroecologia, organizado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), destacou a cultura como “elemento político de diálogo com os territórios, uma vez que é a representação da diversidade e dos saberes populares” e a definiu como memória por denotar a necessidade de reconhecer os saberes ancestrais, aprender com eles e renová-los.

 

Essas ideias sobre a cultura dialogam com as do pensador francês Edgar Morind; ao entendê- la como “memória generativa depositária das regras de organização social, ela É fonte produtora de saberes, competências e programas de comportamento". Morin a considera como um patrimônio informacional, pois organiza a experiência humana. De acordo com esse autor, a cultura abrange os conhecimentos acumulados por gerações sobre o ambiente, o clima, as plantas, os animais, as técnicas do corpo, as técnicas de fabricação e de manejo dos artefatos, as crenças, a visão de mundo etc., em que se retempera e se regenera a comunidade.

 

Morin afirma que a cultura fornece ao pensamento suas condições de formação e concepção. Para esse pensador, à cultura e a sociedade, via cultura, estão no interior do conhecimento humano e produz conhecimento. A comida é uma prática cultural que contribui para enxergar a complexidade da vida é a condição humana no seu conjunto - ecossistema é biosfera. Alimenta todo o complexo vivo do nosso organismo, das células às moléculas. Nutre a mente, as redes neuronais, psíquicas, sociais e espirituais. É uma via concreta - é comestível - para compreender o mundo é nos auxiliar na criação da estratégias para intervir em realidades.

 

Ao longo dos últimos 20 anos, diferentes povos e organizações da sociedade civil têm forjado coletivamente a compreensão do que entendem por cultura alimentar, bem como têm criado estratégias para sua inserção nas políticas públicas. À essas concepções de cultura, geradas nas lutas sociais e com pensadores da complexidade e das ciências sociais, trazemos a reflexão sobre o lugar da comidae nas políticas culturais no Brasil.

 

(...)

(Juliana Dias e André Luza. Le Monde Diplomafique, 30 de novembro de 2020, com alterações)

 

É também no contexto histórico de lutas por direitos sociais que o sentido político da cultura vem sendo construido.

 

Assinale a alternativa em que o termo exerça, no texto, função sintática igual ao do sublinhado no trecho acima.

  1. de conhecimento
  2. da técnica
  3. de uma cultura
  4. do pensador francês Edgar Morin
  5. da comida
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Gabarito

A

Comentário do professor

de conhecimento funciona como complemento nominal, pois completa o sentido do substantivo abstrato "produção". A expressão liga-se a um nome e não a um verbo, especificando sobre o que recai a produção.

A evidência é o valor passivo: "produção de conhecimento" equivale a "conhecimento produzido". Ou seja, o substantivo necessita da expressão preposicional para fechar seu sentido, indicando aquilo que é objeto da ação ou estado.

Portanto, por completar o sentido de um nome abstrato e estabelecer uma relação de dependência com sentido passivo, a locução "de conhecimento" exerce a mesma função sintática pedida pela questão.

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