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Questão FC244853

Texto para a questão. Mudança favorável na Ásia Há um país onde, diferentemente do que ocorre no Brasil, a justiça processa ex-presidentes conservadores, os condena por desvio de v

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

IDECAN · 2019

Texto para a questão.

 

Mudança favorável na Ásia

 

Há um país onde, diferentemente do que ocorre no Brasil, a justiça processa ex-presidentes conservadores, os condena por desvio de verbas e manda-os para a prisão. Onde direita, extrema direita e protestantes fundamentalistas se consideram traídos por Donald Trump. Onde, em vez de questionar um acordo de desarmamento nuclear, como aquele feito com o Irã, ou um tratado de mísseis de médio alcance, como com a Rússia, o presidente dos Estados Unidos parece querer resolver um conflito que nenhum de seus predecessores conseguiu desatar. Incluindo o último, ainda que Nobel da Paz.

 

Sem dúvida isso está acontecendo no Extremo Oriente. Sem dúvida essa coisa é muito complicada para assumir uma posição no grande relato maniqueísta que molda e distorce nossa visão do mundo. No entanto, como a situação global é bastante sombria, o discurso voluntarista e otimista do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, não deveria ter passado despercebido. Em 26 de setembro, diante da Assembleia- Geral das Nações Unidas, ele lançou: “Um milagre aconteceu na Península da Coreia.”

 

Um milagre? Uma reviravolta completa, pelo menos. Ninguém se esqueceu da enxurrada de tuítes enraivecidos trocados há apenas um ano por Trump e o presidente norte-coreano – “fogo e fúria”, o “grande botão” nuclear etc. A ex-embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, acaba de confessar que, em 2 de setembro de 2017, para pressionar Pequim a agir junto à sua vizinha e aliada, ela acenou para sua contraparte chinesa com a ameaça de uma invasão norteamericana da Coreia do Norte. Agora, Trump saúda a “coragem” do presidente Kim Jung-un, “um amigo”. E, durante um encontro republicano, ele até fingiu sentir “amor” por ele!

 

Os coreanos do Norte e do Sul avançam numa marcha forçada, aproveitando o alinhamento das estrelas: a direita sul-coreana está em frangalhos; o regime de Pyongyang finalmente parece favorecer o desenvolvimento econômico do país; vilipendiada pelos democratas e pelos meios de comunicação norte-americanos por causa de sua reaproximação, considerada imprudente, com a Coreia do Norte, a Casa Branca não vai admitir de bom grado que o maestro autoproclamado da “arte do acordo” foi enganado por um velhaco maior que ele. Seja como for, se os Estados Unidos decidissem retornar ao “fogo e fúria”, a rápida deterioração de suas relações com Pequim e Moscou praticamente impediria que a Rússia e a China os acompanhassem mais uma vez.

 

Nesse quadro geral, o desarmamento nuclear da Coreia não deve se tornar um pré-requisito para a realização de outros aspectos da negociação: suspensão de manobras militares de ambos os lados, levantamento de sanções econômicas, tratado de paz. Porque Pyongyang nunca vai desistir de seu seguro de vida sem garantias fortes: Trump não é eterno, nem a clemência de seus sentimentos… Outro motivo, ainda que paradoxal, para ser otimista quanto a um acordo nos próximos meses sobre um conflito que já dura três quartos de século.

 

(Serge Halimi. Le Monde Diplomatique.

5 de novembro de 2018.)

 

“Agora, Trump saúda a ‘coragem’ do presidente Kim Jung-un, ‘um amigo’. E, durante um encontro republicano, ele até fingiu sentir ‘amor’ por ele!” 

 

O emprego das aspas no trecho acima se justifica

  1. por se tratar de citações diretas da fala de Donald Trump.
  2. pela alteração de sentido que se pretende em relação ao sentido original das palavras.
  3. pela intenção de intensificar o sentido das palavras em que elas foram empregadas.
  4. por se tratar de termos de carga subjetiva, inadequados em contexto de relações internacionais.
  5. por revelar que a intenção do texto é empregar tais termos como metáforas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

As aspas em torno de "coragem", "um amigo" e "amor" indicam a intenção do enunciador de sinalizar uma alteração de sentido em relação ao conteúdo literal dessas palavras.

Elas funcionam como um recurso de distanciamento: mostram que os termos não são apresentados em seu sentido usual, mas sim reaproveitados com outra valência — frequentemente irônica ou depreciativa — para marcar ceticismo sobre a postura atribuída a Trump.

Na leitura do texto, as aspas alertam o leitor de que essas expressões não correspondem a um elogio genuíno, mas a uma atribuição questionada ou subvertida pelo autor.

Por isso, a justificativa correta é a que aponta a utilização das aspas para indicar essa alteração de sentido, confirmando a alternativa B.

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