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Questão FC244897

Leia o texto abaixo para responder à questão. Neologismo Beijo pouco, falo menos ainda. Mas invento palavras Que traduzem a ternura mais funda E mais cotidiana. Inventei, por exemp

Regência

IDECAN · 2019

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Neologismo


Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

(Manuel Bandeira)

 

Com base no poema de Manuel Bandeira e em seus conhecimentos sobre sintaxe, gênero poético e ortografia, pode-se afirmar que

  1. a invenção a que se refere o autor dá-se por um processo de neologismo verbal, no qual o objeto direto, representado por um pronome oblíquo átono, é fundido a um verbo, de modo a formar outro verbo de regência própria.
  2. o sujeito do verbo inventar em “inventei (...) o verbo teodorar” é “verbo teodorar”.
  3. os verbos “beijar” e “falar”, no texto, são transitivos diretos.
  4. o verbo “inventar”, no texto, é intransitivo.
  5. o pronome relativo “que”, em “que traduzem a ternura mais funda” funciona sintaticamente como objeto direto da oração adjetiva.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O verso cria um neologismo verbal: teadorar resulta da junção do verbo adorar com o pronome oblíquo átono te (originalmente o objeto direto de “adorar”).

Do ponto de vista morfológico, trata‑se de aglutinação: o clítico que, em “te adorar”, cumpria a função de objeto direto foi incorporado ao verbo, formando um novo léxico — teadorar.

Sintaticamente, essa incorporação altera a regência: o verbo recém‑criado aparece no poema como intransitivo (“Intransitivo: Teadoro, Teodora”), isto é, não exige complemento, pois o elemento que antes completava o sentido foi lexicalizado dentro do próprio verbo.

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