Questão FC244976
Texto IV Pedocracia: A ditadura das crianças que mandam nos pais As birras, as pirraças, os gritos, os gestos agressivos, as palavras ofensivas são o que normalmente se caracteriza
Concordância (Verbal e Nominal)
IDECAN · 2022
Texto IV
Pedocracia: A ditadura das crianças que mandam nos pais
As birras, as pirraças, os gritos, os gestos agressivos, as palavras ofensivas são o que normalmente se caracterizam como as crianças ‘donas da casa’. A infantolatria foi o nome dado à ‘ditadura’ de crianças que não aceitam ouvir ‘não’, querem tudo do jeito e na hora delas. Mas em que momento isso passou a ser normal? A psicanalista Marcia Neder, autora de “Déspotas Mirins, o poder nas novas famílias”, da Zagodoni Editora, em entrevista ao “Saia Justa”, chama o fenômeno de pedocracia e nos dá algumas orientações.
“A pedocracia é alimentada pela idealização da maternidade. Qual é o ideal que temos da maternidade? O de uma mãe que abre a mão da sua vida para se dedicar ao filho. Por que as mães embarcam na idealização, por que se sentem santas mães proibidas de ter raiva, de perder a paciência? Aí vem uma culpa fenomenal. Acima da dor dela, tem o que ela aprendeu, que é a suprema felicidade e bem-estar do seu filho”, explica a especialista.
Segundo ela, na atual cultura de idolatração dos filhos, eles precisam se sentir amados pelos pais. “E eles dizem que ‘se não dermos alguma coisa a eles, eles ficam chateados e dizem que não amam a gente’. É uma inversão total de valores”, reforça Neder.
“É mais fácil deixar a criança ser rei. É mais fácil do que aguentar o chilique. Dá trabalho educar. Para evitar isso, querem tudo do jeito e na hora delas. Se você não estabelece desde o início, tentar estabelecer depois fica complicado”, sugere.
“O processo de mudança nos conceitos de família, iniciado no século XVIII por Jean-Jacques Rousseau, chegou ao século XX com a ‘religião da maternidade’, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. Instituiu-se o que é uma boa mãe sob a crença de que ela é responsável e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e fará. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século XXI como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria”, elucida a especialista.
A definição de infantolatria por Marcia Neder consiste em “a instituição da mãe como súdita do filho e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança”. E Exime ¹ a criança de qualquer responsabilidade sobre o seu comportamento: “Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiar. Se isso acontece, é porque os pais promovem”.
Ainda reforça: na fase adulta, esse filho cobrará dos pais. “Ele olhará ao redor e verá outras pessoas se realizando independentemente dele. A criança que acha que o mundo tem que parar para ela passar não consegue imaginar isso acontecendo e não está preparada para lidar com a menor das frustrações. Em algum ponto, acusará os pais de terem sido omissos”.
Disponível em: https://www.revistapazes.com –Texto adaptado.
Considerando as regras de concordância verbal, marque a afirmativa incorreta quanto à forma verbal:
- Faz anos que muitas mães abrem mão da sua vida para se dedicarem a vida dos filhos.
- Haviam muitas crianças fazendo.
- Uma ou outra criança aceita um não como resposta.
- Nem as mães nem os pais sabem, muitas vezes, agir em relação às pirraças dos filhos pequenos.
- Bebês não têm o poder de determinar a dinâmica familiar.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Verbo haver usado com o sentido de existir ou acontecer é impessoal e, por isso, invariável. Não concorda com o substantivo que o segue.
Logo, a forma correta é: Havia muitas crianças fazendo. O verbo permanece na 3.ª pessoa do singular, independentemente do plural do sujeito aparente.
A forma *haviam muitas crianças fazendo* está incorreta porque flexiona o verbo como se este tivesse sujeito, o que não ocorre no uso impessoal de haver.
Observação prática: em linguagem coloquial é comum ouvir *haviam*, mas a norma culta exige havia quando o sentido for «existir/ocorrer».
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