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Questão FC244995

Texto retirado da obra “Raízes do Brasil” para responder à questão. 2. A LÍNGUA-GERAL EM SÃO PAULO O assunto, que tem sido ultimamente objeto de algumas controvérsias, foi tratado

Concordância (Verbal e Nominal)

IDECAN · 2019

Texto retirado da obra “Raízes do Brasil” para responder à questão.

 

2. A LÍNGUA-GERAL EM SÃO PAULO

 

O assunto, que tem sido ultimamente objeto de algumas controvérsias, foi tratado pelo autor no Estado de S. Paulo de 11 e 18 de maio e 13 de junho de 1945, em artigos cujo texto se reproduz, a seguir, quase na íntegra.


Admite-se, em geral, sobretudo depois dos estudos de Teodoro Sampaio, que ao bandeirante, mais talvez do que ao indígena, se deve nossa extraordinária riqueza de topônimos de procedência tupi. Mas admite-se sem convicção muito arraigada, pois parece evidente que uma população “primitiva”, ainda quando numerosa, tende inevitavelmente a aceitar os padrões de seus dominadores mais eficazes.


Não faltou, por isso mesmo, quem opusesse reservas a um dos argumentos invocados por Teodoro Sampaio, o de que os paulistas da era das bandeiras se valiam do idioma tupi em seu trato civil e doméstico, exatamente como os dos nossos dias se valem do português.


Esse argumento E) funda-se, no entanto, em testemunhos precisos A) e que deixam pouco lugar a hesitações B), como o é o do padre Antônio Vieira, no célebre voto que proferiu acerca das dúvidas suscitadas C) pelos moradores de São Paulo em torno do espinhoso problema da administração do gentio. “É certo”, sustenta o grande jesuíta, “que as famílias dos portuguezes e indios de São Paulo estão tão ligadas hoje humas ás outras, que as mulheres e os filhos se criam mystica e domesticamente, e a lingua que nas ditas familias se fala he a dos indios, e a portugueza a vão os meninos aprender à escola [...]’

 

(HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil, capítulo 4, nota 2, páginas 122 e 123, versão digital)

 

Acerca da concordância verbal em “funda-se”, pode-se afirmar que

  1. há equívoco, pois o verbo deveria concordar com “testemunhos precisos”.
  2. há equívoco, pois o verbo deveria concordar com “hesitações”.
  3. há equívoco, pois o verbo deveria concordar com “dúvidas suscitadas”.
  4. não há equívoco, pois o sujeito é indeterminado, em razão de a partícula “se” funcionar como índice de indeterminação do sujeito.
  5. não há equívoco, pois o sujeito é “Esse argumento”.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Na oração “Esse argumento funda-se em testemunhos precisos”, o verbo fundar‑se concorda com o sujeito expresso. Pergunte ao verbo: quem funda‑se? — resposta: “Esse argumento”, sujeito simples e singular.

O sintagma “em testemunhos precisos” é complemento introduzido por preposição (objeto indireto / adjunto adverbial de fundamento), não sujeito; por isso não determina a concordância verbal.

Além disso, a partícula “se” integra o verbo pronominal fundar‑se (sentido reflexivo/recíproco/ pronominal), não funcionando aqui como índice de indeterminação do sujeito. Logo, a forma funda‑se no singular está correta.

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