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Questão FC245005

Três graves equívocos no debate sobre a polarização Há pelo menos três graves equívocos no debate sobre polarização. O primeiro é supor que ela exige algum grau de simetria entre p

Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)

IDECAN · 2024

Três graves equívocos no debate sobre a polarização

 

Há pelo menos três graves equívocos no debate sobre polarização. O primeiro é supor que ela exige algum grau de simetria entre posições polares. Alguns argumentam que não há polarização nos EUA porque Biden é centrista. A confusão origina-se na falta de compreensão quanto ao conceito de mediana, muitas vezes entendida como centro.

 

A mediana de uma distribuição de preferências políticas pode estar ou não no valor central, digamos 5 em uma escala de 1 a 10 (onde 10 é extrema direita e 1, extrema esquerda). Não importa a escala − se baseada no autoposicionamento ou métricas objetivas − a mediana é o ponto que divide o eleitorado em duas partes iguais: metade à esquerda deste ponto e metade à direita.

 

Segundo o Latinobarometro/Eurobarometro (2023), a mediana está à direita do centro, por exemplo, na Polônia, Brasil e Finlândia − é superior a 6; ou muito mais à direita dele em El Salvador e Montenegro, girando em torno de 7. Em outros está à esquerda (Espanha). A polarização assimétrica nestes casos ocorre entre grupos com posições centrais na escala e um dos polos, e não entre estes últimos. Se a mediana estiver em cerca de 3, posições em 6 será percebida como "fascista".

 

Uma tendência universal, em eleições majoritárias ou no voto distrital, é que haja uma convergência ideológica dos competidores para a mediana de preferências (não para o centro!). Mas a convergência tem dado lugar a tendências centrípetas.

 

O segundo equívoco é confundir as dimensões do conflito político (economia, pauta de costumes, etnia, etc.), reduzindo-os a uma dimensão. O equívoco não permite entender a similaridade de posições em relação à economia ou gasto social entre esquerda e direita radicais, etc. Como sabemos, o conflito político tornou-se crescentemente mais multidimensional.

 

O terceiro é desconsiderar que a polarização não se reduz a questões programáticas. Dados para os EUA mostram certa estabilidade no posicionamento de democratas e republicanos em relação às políticas públicas, mas mudança radical na forma em que percebem uns aos outros.

 

A divergência no Brasil também é mínima: envolve posse de armas e educação sexual.

 

A polarização tornou-se afetiva, assentando-se em emoções negativas (desconfiança, desprezo, aversão) dirigidas a grupos políticos rivais.

 

A métrica mais comum para medi-la é a diferença entre os escores de simpatia para seu próprio partido e rejeição quanto aos rivais.

 

Embora concordem em relação às políticas, crescentemente abominam a possibilidade que seus filhos casem com adversários políticos.

 

A geometria política não é simplória.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcus-melo/

 

Assinale a alternativa em que o segmento extraído do texto seja exemplo de voz passiva.

  1. Mas a convergência tem dado lugar a tendências centrípetas.
  2. A confusão origina-se na falta de compreensão quanto ao conceito de mediana, muitas vezes entendida como centro.
  3. O equívoco não permite entender a similaridade de posições em relação à economia ou gasto social entre esquerda e direita radicais, etc.
  4. Como sabemos, o conflito político tornou-se crescentemente mais multidimensional.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Voz passiva sintética: a oração "A confusão origina-se na falta de compreensão quanto ao conceito de mediana..." apresenta o pronome se funcionando como apassivador. Nesse tipo de construção, o que seria objeto vira sujeito paciente e o pronome se indica a ocorrência da passiva.

Logo, "A confusão" é o sujeito paciente e "na falta de compreensão..." expressa a circunstância que desempenha o papel de agente/causa. O verbo "originar" aparece na forma pronominal para marcar essa passividade.

Equivalente em voz passiva analítica: "A confusão foi originada na falta de compreensão quanto ao conceito de mediana". Observe também que "muitas vezes entendida como centro" contém particípio passado usado como adjetivo, reforçando sentido passivo sobre "mediana".

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