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Questão FC245099

Texto para responder a questão. CAPÍTULO XI / O MENINO É PAI DO HOMEM Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci naturalmente, como crescem as magnólias e os gatos. Talv

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

IDECAN · 2019

Texto para responder a questão.

 

CAPÍTULO XI / O MENINO É PAI DO HOMEM

 

Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci naturalmente, como crescem as magnólias e os gatos. Talvez os gatos são menos matreiros, e com certeza, as magnólias são menos inquietas do que eu era na minha infância. Um poeta dizia que o menino é pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.

 

Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, — algumas vezes gemendo, — mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um — “ai, nhonhô!” — ao que eu retorquia: — “Cala a boca, besta!” — Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos.

 

(Joaquim Maria Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

 

Ainda sob a perspectiva da organização textual por meio da coesão, é correto afirmar que o pronome “o” em “fustigava-o” possui natureza

  1. catafórica.
  2. exofórica.
  3. expletiva.
  4. dêitica.
  5. anafórica.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O pronome "o" em "fustigava-o" tem natureza anafórica porque retoma um referente já mencionado anteriormente no texto.

No trecho, o personagem imediatamente anterior é Prudêncio ("Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo..."); portanto, o "o" aponta para esse termo prévio. Podemos reescrever semanticamente: fustigava-o = fustigava Prudêncio.

Além disso, a forma pronominal está no masculino singular, concordando morfologicamente com o nome "Prudêncio", o que reforça a referência anafórica.

Em síntese: trata‑se de retomada de elemento já citado no discurso, daí a classificação como anafórica.

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