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Questão FC245109

O maiúsculo e o minúsculo É lastimável quando alguém simplifica em demasia as realidades complexas: perde a proporção dos fatos e se põe a fazer afirmações desprovidas de qualquer

Linguagem

IDECAN · 2024

O maiúsculo e o minúsculo

 

É lastimável quando alguém simplifica em demasia as realidades complexas: perde a proporção dos fatos e se põe a fazer afirmações desprovidas de qualquer fundamento. Enquanto essas simplificações permanecem nos limites do idiossincrático, parece não haver maiores problemas, afinal cada um acredita naquilo que bem lhe apraz. Contudo, quando essas simplificações ultrapassam tais limites e começam a sustentar ações para além do idiossincrático, a situação se torna, no minimo, preocupante.

 

É o que tem ocorrido ultimamente com certa discussão em torno da lingua. Nessa área, há, sem dúvida, questões maiúsculas a serem enfrentadas. O Brasil precisa desencadear um amplo debate com vista à elaboração de uma nova política linguistica para si, superando os efeitos deletérios de uma situação ainda muito mal resolvida entre nós.

 

Essa nova política deverá, entre outros aspectos, reconhecer o caráter multilingue do país (o fato de o português ser hegemônico não nos deve cegar para as muitas linguas indígenas, europeias e asiáticas que aqui se falam, multiplicidade que constitui parte significativa do patrimônio cultural brasileiro). Ao mesmo tempo, deverá reconhecer a grande e rica diversidade do português falado aqui, vencendo, de vez, o mito da língua única e homogênea.

 

Será preciso incluir, nessa nova política, um combate sistemático a todos os preconceitos linguísticos que afetam nossas relações sociais e que constituem pesado fator de exclusão social. E incluir, ainda, um incentivo permanente à pesquisa científica da complexa realidade linguística nacional e à ampla divulgação de seus resultados, estimulando com isso, por exemplo, um registro mais adequado, em gramáticas e dicionários, da norma-padrão real, bem como das demais variedades do português, viabilizando uma comparação sistemática de todas elas, como forma de subsidiar o acesso escolar (hoje tão precarizado) ao padrão oral e escrito.

 

Apesar de termos essas tarefas maiúsculas à frente, foi uma questão minúscula que, a partir de uma grosseira simplificação dos fatos, acabou por tomar corpo em prejuízo de todo o resto: a presença de palavras da língua inglesa em nosso cotidiano.

 

Uma observação cuidadosa e honesta dos fatos nos mostra que, proporcionalmente ao tamanho do nosso léxico (composto por cerca de 500 mil palavras), esses estrangeirismos não passam de uma insignificante gota d'água (algumas poucas dezenas) num imenso oceano.

 

Mostra-nos ainda mais (e aqui um dado fundamental): muitos deles, pelas próprias ações dos falantes, estão já em pleno refluxo (a maioria terá, como em qualquer outra época da história da língua, vida efêmera).

 

Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1305200117.htm. Acesso em 11 nov2023. Adaptado.

 

“Ao mesmo tempo, deverá reconhecer a grande e rica diversidade do português falado aqui, vencendo, de vez, o mito da língua única e homogênea.” O trecho entre aspas legitima o processo de variação linguística, o qual está corretamente tipificado e descrito como

  1. variação dialetal, por tratar-se do uso formal ou informal da lingua.
  2. variação diafásica, pois representa as variações que se estabelecem em função do contexto comunicativo.
  3. variação diastrática, por tratar das mudanças ocorridas na lingua com o decorrer do tempo.
  4. variação diatópica, pois ocorre em virtude da convivência entre os grupos sociais.
  5. variação diacrônica, pois ocorre em razão das diferenças regionais.
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Gabarito

B

Comentário do professor

O trecho destaca a “grande e rica diversidade do português falado aqui”, o que aponta para variações relacionadas ao uso em diferentes situações comunicativas. Isso caracteriza a variação diafásica: mudanças linguísticas que ocorrem conforme o contexto comunicativo e o registro adotado.

Trata‑se de uma variação intra‑falante: a mesma pessoa usa formas distintas em contextos diversos — por exemplo, linguagem coloquial entre amigos e linguagem mais formal em uma apresentação ou documento oficial. Essas alternâncias envolvem vocabulário, nível de formalidade e escolhas sintáticas.

Reconhecer a variação diafásica é crucial para políticas linguísticas e educativas que valorizem práticas reais de fala e facilitem o acesso ao padrão quando necessário, sem estigmatizar variedades situacionais.

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