Questão FC245218
(Fragmento) Florentino Ariza perdeu a fala e o apetite e passava as noites em claro rolando na cama. Mas, quando começou a esperar a resposta à sua primeira carta, sua ansiedade se
Interpretação de Textos (Compreensão)
IDECAN · 2024
(Fragmento)
Florentino Ariza perdeu a fala e o apetite e passava as noites em claro rolando na cama. Mas, quando começou a esperar a resposta à sua primeira carta, sua ansiedade se complicou com diarreias e vômitos verdes, perdeu o sentido da orientação e passou a sofrer desmaios repentinos, e a mãe se aterrorizou porque seu estado não se parecia com as desordens do amor e sim com os estragos do cólera. O padrinho de Florentino Ariza, antigo homeopata que tinha sido confidente de Trânsito Ariza desde seus tempos de amante oculta, se alarmou também à primeira vista com o estado do enfermo, porque tinha o pulso tênue, a respiração rascante e os suores pálidos dos moribundos. Mas, o exame revelou que não tinha febre, nem dor em nenhuma parte, e a única coisa que sentia de concreto era uma necessidade urgente de morrer. Bastou ao médico um interrogatório insidioso, primeiro a ele e depois à mãe, para comprovar, uma vez mais, que os sintomas do amor são os mesmos do cólera.
Gabriel García Márquez. O Amor nos Tempos do Cólera, 1985.
“[...] a única coisa que sentia de concreto era uma necessidade urgente de morrer [...]”.
O trecho entre aspas, inserido no contexto discursivo do fragmento, indica que o desejo de Florentino Ariza tinha por causa
- sintomas ocasionados por seu estado de ânimo.
- um diagnóstico fisiológico.
- uma doença desconhecida.
- uma patologia recém descoberta.
- os estragos causados pelo cólera.
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Gabarito
A
Comentário do professor
“a única coisa que sentia de concreto era uma necessidade urgente de morrer” revela, no contexto do trecho, que esse impulso não deriva de uma lesão física, mas do seu estado de ânimo.
O narrador contrapõe sinais clínicos (ausência de febre e dor) à queixa íntima de Florentino, mostrando que os sintomas são expressão psicológica: ansiedade, angústia e sofrimento amoroso tornam-se manifestações corporais.
Trata‑se, portanto, de somatização — o sofrimento emocional transforma‑se em sensações físicas e em um desejo dramático de morrer. A intensa linguagem do autor funciona como metáfora para o alcance psíquico dessa aflição.
Assim, a frase indica claramente que o desejo suicida é consequência do ânimo perturbado de Florentino, e não de uma causa orgânica.
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