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Questão FC245235

Já deu o seu melhor hoje?

Interpretação de Textos (Compreensão)

IDECAN · 2024

Já deu o seu melhor hoje?

 

Vou dar o meu melhor. Você tem de dar o seu melhor. Ele prometeu dar o seu melhor. É a expressão da moda. Todos estamos "dando o nosso melhor", e com a maior sinceridade. As sílabas vão se formando na boca sem passar pelo cérebro, cristalizam-se em palavras e, num átimo, estão ditas. Mas é um bom sinal. Significa que estamos querendo fazer direito, seja o que for. Só não está sendo suficiente. (...)

 

Se realmente quisessem "dar o seu melhor", as pessoas pensariam antes de falar − no mínimo para se certificar de que estão realmente dando o seu melhor. Mas não adianta: "dar o seu melhor" já está no imaginário popular.

 

Estar "no imaginário" é outra coisa que me intriga. É mais uma expressão favorita de nosso tempo. Quando ouço falar que isto ou aquilo está "no imaginário" de alguém, imagino − perdão − uma pessoa meio apalermada, com os olhos em espiral voltados para o teto, como se uma nuvem daquelas de história em quadrinhos, só que vazia, flutuasse sobre sua cabeça. O problema é que, muitas vezes, o isso e o aquilo estão no "imaginário popular", o que me sugere uma população de zumbis nessa condição.

 

Por sorte, o povo brasileiro tem manifestado uma fabulosa resiliência. E aí está outra palavra que só há pouco, sem pedir licença nem dar o seu melhor, entrou no nosso imaginário: "resiliência". Saltou dos dicionários de inglês para a boca do povo sem passar pela alfândega. Até três ou quatro anos, ninguém jamais a pronunciara. Hoje, é obrigatória.

 

"Dar o seu melhor", "imaginário" e "resiliência". Só há uma maneira de evitar esses clichês ocos: ficar "focado".

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/

 

Em relação às possíveis inferências com a leitura do texto, assinale a alternativa correta.

  1. O emprego que se faz de termos que o autor considera condenáveis só seria superado com uma atitude igualmente equivocada na sua nomeação na contemporaneidade.
  2. Os termos criticados pelo autor já ocupam o imaginário popular, o que o leva a incorporá-los ao discurso, como forma de poder alcançar um público cada vez mais numeroso.
  3. O entendimento de que as expressões criticadas devem ser banidas da língua se dá para que a população consiga de fato expressar seus pensamentos de forma coerente, o que vem atrapalhando a evolução social hoje.
  4. A crítica que se faz ao emprego de termos novos na língua reside numa postura purista do autor, que não vê nessa atitude algo
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa afirma que o uso reiterado de termos que o autor considera condenáveis só poderia ser superado por uma atitude igualmente equivocada ao nomeá‑los na contemporaneidade. Isso coincide com o tom crítico do texto.


O autor lista expressões como "dar o seu melhor", "imaginário" e "resiliência" e ironiza seu caráter vazio, mostrando que já fazem parte do discurso cotidiano sem reflexão.


Ao concluir que só há uma maneira de evitar esses clichês ocos: ficar "focado", o enunciador sugere ironicamente que substituir um modismo por outro é igualmente equivocado.


Portanto, a inferência da alternativa está correta: o texto indica que o único modo de "superar" tais termos seria por meio de uma atitude de nomeação contemporânea tão falha quanto os próprios clichês.

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