Questão FC245250
Texto para a questão. PROJETO DE ATLAS DE CÉLULAS HUMANAS MAPEIA INÍCIO DE GESTAÇÃO Cientistas revelaram, nesta quarta-feira (20), o primeiro esboço do desenvolvimento esquelético
Interpretação de Textos (Compreensão)
IDECAN · 2024
Texto para a questão.
PROJETO DE ATLAS DE CÉLULAS HUMANAS MAPEIA INÍCIO DE GESTAÇÃO
Cientistas revelaram, nesta quarta-feira (20), o primeiro esboço do desenvolvimento esquelético humano enquanto avançam em direção ao objetivo de completar um atlas biológico de cada tipo de célula no corpo para melhor compreender a saúde humana e diagnosticar e tratar doenças.
O trabalho faz parte do projeto contínuo Human Cell Atlas, iniciado em 2016 e que envolve pesquisadores de todo o mundo. O corpo humano é composto de aproximadamente 37 trilhões de células, com cada tipo de célula tendo uma função única.
Os pesquisadores pretendem ter um primeiro rascunho do atlas pronto em até dois anos. Aviv Regev, copresidente fundador do projeto e atualmente vice-presidente executivo e chefe de pesquisa e desenvolvimento inicial na empresa de biotecnologia Genentech, dos Estados Unidos, disse que o trabalho é importante em dois níveis.
"Em primeiro lugar, é nossa curiosidade humana básica. Queremos saber do que somos feitos. Acho que os humanos sempre quiseram saber do que são feitos. E, de fato, os biólogos têm mapeado células desde os anos 1600 por essa razão", disse Regev.
"A segunda, e muito pragmática, razão é que isso é essencial para entendermos e tratarmos doenças. As células são a unidade básica da vida e, quando algo dá errado, dá errado com nossas células, antes de mais nada", disse Regev.
Os pesquisadores mapearam o desenvolvimento esquelético no primeiro trimestre da gravidez, permitindo-lhes descrever todas as células, redes de genes e interações envolvidas no crescimento ósseo durante os estágios iniciais do desenvolvimento humano.
Eles mostraram como a cartilagem atua como um andaime para o desenvolvimento ósseo em todo o esqueleto, exceto no topo do crânio. Também mapearam todas as células críticas para a formação do crânio e examinaram como mutações genéticas podem fazer com que pontos moles no crânio de um recém-nascido se fundam muito cedo, restringindo o crescimento do cérebro em desenvolvimento.
O conhecimento dessas células, disseram os pesquisadores, pode potencialmente ser usado como alvos diagnósticos e terapêuticos para identificar e tratar condições congênitas. Eles também descobriram que certos genes ativados em células ósseas iniciais podem estar associados a um risco aumentado de desenvolver artrite no quadril na idade adulta.
Os cientistas apresentaram o atlas do trato gastrointestinal, abrangendo desde os tecidos da boca até o esôfago, estômago, intestinos e cólon. Eles identificaram um tipo de célula intestinal que pode estar envolvido na inflamação, potencialmente esclarecedor para condições como a doença de Crohn e colite ulcerativa.
Além disso, ofereceram um atlas do desenvolvimento do timo humano, um órgão que treina células imunológicas para proteger contra infecções e câncer.
As descobertas foram publicadas na Nature e em revistas afiliadas ao Nature Portfolio.
"Embora o foco principal tenha sido mapear as células do corpo humano saudável, o projeto já contribuiu com informações valiosas sobre doenças como câncer, covid-19, fibrose cística e outras que afetam o coração, pulmão e intestino", disse Alexandra-Chloe Villani, do Hospital Geral de Massachusetts, integrante do comitê organizador do projeto.
A pesquisa emprega novos dados e ferramentas analíticas, algumas baseadas em inteligência artificial e aprendizado de máquina.
Os dados do Human Cell Atlas permitem que os pesquisadores "treinem modelos de base, como um 'ChatGPT para células", que nos ajudam a descrever novas células ou procurar uma nova célula dentro de dezenas de milhões de perfis”, disse Sarah Teichmann, copresidente fundadora do projeto.
"Nos ajuda a fazer conexões inesperadas, por exemplo, entre células vistas em doenças pulmonares fibróticas e em tumores no pâncreas”, disse Teichmann.
Compreender a complexidade anatômica humana no nível celular tem sido um desafio. "Fundamentalmente, esses estudos nos dizem como tecidos, órgãos e humanos são construídos", afirmou Muzlifah Haniffa, do Instituto Wellcome Sanger e da Universidade de Newcastle, e também integrante do comitê organizador do projeto.
"Compreender o desenvolvimento humano é essencial para entender distúrbios do desenvolvimento, distúrbios infantis que têm início pré-natal, bem como doenças que também afetam adultos, já que caminhos de desenvolvimento podem ressurgir em doenças na vida adulta. Aplicações práticas incluem novas estratégias diagnósticas, de manejo clínico e terapêuticas”, acrescentou a pesquisadora.
(Will Dunham. https:/Ayww1 folha .uol.com.br/ciencia/
2024/11/projeto-de-atlas-de-celulas-humanas-mapeia-inicio-de-gestacao.shtml. 21.nov.2024)
Em relação ao que se pode inferir da leitura do texto e suas possíveis inferências, assinale a afirmativa correta.
- A expectativa é que, em até dois anos, sejam concluídos os primeiros rascunhos acerca do mapeamento genético do trato intestinal humano.
- A busca por um mapeamento genético se dá com a ambição de se compor um mapeamento esquelético humano, em dois anos.
- Ao realizarem o mapeamento biológico dos primeiros três meses de gestação, foi possível diferenciar quais doenças podem ser derivadas de malformações.
- O mapeamento realizado permite identificar que mutações genéticas podem chegar a gerar doenças ou alterações em sistemas paralelos, como com o cérebro e o crânio.
- Conhecendo o atlas, daqui a dois anos, será possível atacar doenças congênitas na base, de forma que se venha a evitar que doenças adultas já estejam com marcação desde a infância.
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Gabarito
D
Comentário do professor
O enunciado aponta que o atlas mapeou, no primeiro trimestre, todas as células e as redes genéticas envolvidas no desenvolvimento esquelético, inclusive as células responsáveis pela formação do crânio.
Assim, é possível inferir que identificar quais genes e células estão ativos permite relacionar mutações genéticas específicas a alterações estruturais, como a fusão precoce das fontanelas (craniossinostose), que por sua vez pode limitar o crescimento do cérebro.
Ou seja, o mapeamento evidencia como uma alteração genética em células ósseas pode repercutir em sistemas correlatos — anatomia craniana e desenvolvimento neural — confirmando a afirmação de que mutações podem gerar doenças ou alterações em sistemas paralelos.
Além disso, esse conhecimento abre caminho para potenciais alvos diagnósticos e terapêuticos, já que identificar a célula e o gene envolvidos é passo-chave para intervenção.
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