Questão FC245256
O texto seguinte servirá de base para responder à questão Por Que Se Vive Mais Fora da Periferia Para viver por mais tempo, um cidadão precisa ter acesso garantido a uma série de d
Interpretação de Textos (Compreensão)
IDECAN · 2024
O texto seguinte servirá de base para responder à questão
Por Que Se Vive Mais Fora da Periferia
Para viver por mais tempo, um cidadão precisa ter acesso garantido a uma série de direitos básicos, principalmente à renda, como lista Alessandra Benevides, Coordenadora do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) do campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) em Sobral.
A pesquisadora destaca que "são múltiplos os fatores que ligam a renda com viver mais." "Com mais renda, você pode escolher alimentos mais saudáveis, ter uma boa nutrição. Morar em bairros com melhor saneamento básico e, automaticamente, ter menor risco de doenças", inicia.
"Maior renda está associada também a maior educação. Com isso, a pessoa cuida mais da saúde. Isso também é um mecanismo que liga maior riqueza a maior expectativa de vida", complementa Alessandra.
A Coordenadora do LEP aponta ainda que questões de infraestrutura e segurança dos bairros interferem no estilo de vida e, portanto, influenciam no indicador. "Além do saneamento, bairros mais ricos têm espaços públicos, praças em que a pessoa pode fazer atividades físicas sem ter que desviar de buracos, com risco menor à segurança", observa.
"Todos esses aspectos bem tangíveis e objetivos, como você ter um cano de esgoto para sua residência, que é o saneamento; como as coisas mais intangíveis, como fortalecimento de habilidades socioemocionais e cognitivas, levam a uma redução da desigualdade social e te levam a viver mais, em geral", resume.
Élcio Batista, vice-prefeito de Fortaleza e superintendente do Iplanfor, reconhece que o mapeamento "expressa que essa cidade é desigual", e endossa que a diferença de tempo médio de vida entre bairros mais ricos e mais pobres da cidade "tem uma multiplicidade de fatores", como: infraestrutura urbana; acesso a saneamento básico e água potável; alimentação; atividades econômicas do bairro; acesso ao sistema de saúde e a consultas frequentes; violência.
É para a violência urbana, aliás, que as áreas mais pobres de Fortaleza perdem mais gente, como analisa Luiz Fábio Paiva, sociólogo e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da UFC — sendo, então, importante causa de diminuição da longevidade da população nas periferias.
"Uma estratégia dos grupos é o controle territorial, para, a partir dele, conseguir desenvolver esquemas de armazenamento, comércio e ganhos financeiros. E acontecem preferencialmente nas periferias", assinala. Nas violentas disputas territoriais, então, "sobra" para as periferias. "Quando se fazem acertos de contas, disputas, quando se planeja chacinas, os territórios das periferias são os alvos. Essa mortandade afeta a população como um todo, e isso aparece nos dados de longevidade das cidades", frisa.
Élcio também observa que "nos bairros de maior vulnerabilidade, o índice de homicídios maior de pessoas mais jovens puxa a expectativa de vida pra baixo". O gestor elenca, porém, o direito à saúde como um dos maiores desafios para equiparar as condições de vida da população nas distintas regiões de Fortaleza.
"Fortalecer a atenção primária é uma das principais ações, de forma integrada com o esporte e o lazer. Trabalhar o acesso à saúde com consultas e exames e não trabalhar a atividade física, o lazer das pessoas, para enfrentar os problemas de saúde mental; não se consegue enfrentar o problema", analisa Élcio, que também é cientista social.
Realidade cortante em Fortaleza, a pobreza que passa entre gerações contribui diretamente para abreviar o tempo de vida nas periferias. Alessandra, do LEP/UFC, define o cenário como "armadilha da pobreza". "É isso: os avós eram pobres, não conseguiram estudar, sempre trabalharam; a mãe criou sozinha, é pobre como os avós; a pessoa foi criada no mesmo contexto, e essa é a armadilha. Acontece quando não há investimentos suficientes para romper esse círculo vicioso", lamenta.
Embora a desigualdade social englobe aspectos como renda, saúde, acesso a serviços públicos, à Justiça e à educação, é neste último onde reside o maior potencial de rompimento do ciclo da pobreza, como frisa a pesquisadora.
"Educação é um começo para que você saia dessa armadilha da pobreza, porque interfere na renda. Às vezes, quando você consegue mudar de casa, de bairro, você consegue romper esse ciclo. Às vezes você está num bairro perigoso e não quer criar seus filhos lá", ilustra.
De acordo com Alessandra Benevides, Coordenadora do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) do campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) em Sobral, a armadilha da pobreza se caracteriza pela
- perpetuação da pobreza em muitas gerações da mesma família.
- falta de acesso a moradias dignas, com saneamento básico e segurança.
- baixa remuneração do trabalhador brasileiro.
- descrença no futuro e pela falta de perspectiva em superar as dificuldades da vida.
- falta de acesso a tratamentos de saúde e a ações preventivas.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa correta explica que a armadilha da pobreza é a situação em que a condição econômica desfavorável se repete entre diferentes gerações da mesma família, ou seja, a perpetuação da pobreza ao longo do tempo.
No texto, Alessandra Benevides descreve como avós, pais e filhos vivem em contextos semelhantes — baixo acesso à educação, renda insuficiente e infraestrutura precária — que dificultam a mobilidade social. Essa transmissão intergeracional cria um ciclo difícil de romper sem políticas públicas eficazes.
Portanto, a expressão refere‑se justamente ao mecanismo pelo qual a falta de oportunidades e investimentos transforma a pobreza em um legado familiar, exigindo ações como melhoria do ensino e serviços públicos para promover a ruptura desse ciclo.
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