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Somos todos importantes Um músico humilde ensina que nascemos para brilhar Há alguns anos trabalhei como pauteiro do programa Metrópolis, da TV Cultura, em São Paulo. O programa er

Interpretação de Textos (Compreensão)

IDECAN · 2023

Somos todos importantes

 

Um músico humilde ensina que nascemos para brilhar

 

Há alguns anos trabalhei como pauteiro do programa Metrópolis, da TV Cultura, em São Paulo. O programa era ao vivo e, como pauteiro, tinha que conseguir uma atração musical por dia. Era um trabalho que me fazia muito feliz. Chegava à redação, lia todos os jornais e fazia uma pesquisa de quais artistas estariam se apresentando em shows naqueles dias.

 

Escolhido o artista, aceito o convite, o trabalho passava a ser como trazê-lo até os estúdios da TV, marcar os horários. Em certos casos, conseguir ônibus, como na noite em que trouxemos uma bateria de escola de samba completa!

 

Só havia um problema: no mês de janeiro não ocorriam shows em São Paulo. Era um mês de férias na área artística, não havia nomes famosos, mas eu tinha que conseguir atrações musicais todos os dias. No sufoco, fui a uma pizzaria antiga no Brás, bairro tradicional paulista, onde havia um senhorzinho de terno que tocava um belo piano para os clientes da casa; tocava ali no cantinho, quase sem ser notado.

 

“O senhor gostaria de tocar na televisão hoje?”, perguntei.

 

Ele me olhou com ar de surpresa e respondeu que não era um artista importante, que não serviria como atração. Insisti e, afinal, o simpático senhor aceitou o convite.

 

À noite, já na TV, tivemos uma longa conversa para que contasse sua história, para que eu pudesse fazer o texto de apresentação antes de ele se apresentar. Qual não foi minha surpresa quando aquele senhor me contou uma linda história de vida. Era italiano e imigrou para o Brasil junto com a família. Aprendeu a tocar piano a duras penas e passou a ajudar no sustento de todos graças ao trabalho na pizzaria. Contou histórias de sua terra, histórias de amor e de vida. A cada minuto da conversa, ele crescia mais e mais como ser humano, cheio de sentimento.

 

Esse clima maravilhoso continuou quando ele se sentou ao piano e tocou com profunda emoção.

 

Naquela noite, aprendi uma grande lição, que levei para toda a vida: somos todos importantes. Todo ser humano tem uma importante história para contar, desde que tenha oportunidade para fazê-lo e pessoas interessadas em ouvi-la.

 

Naquela noite, sob os holofotes do estúdio da TV Cultura, aquele senhor anônimo se transformou em artista importante. Brilhou, como todos devemos brilhar. A vida é valiosa.

 

QUEIROZ, Zais Nico Pereira de. Somos todos importantes. Escrita Viva, São Paulo: SP, Editora Escala. Ago/2023

 

De acordo com o contexto do texto, podemos inferir que o pianista convidado pelo autor para o programa Metrópolis relutou em aceitar o convite porque

  1. não falava bem a língua portuguesa, uma vez que era um imigrante italiano.
  2. não se considerava um artista importante o suficiente para receber aquele convite.
  3. não acreditou que a proposta do autor fosse verdadeira e temeu estar caindo em um golpe.
  4. tinha vergonha da história da sua própria vida e não desejava contá-la em um programa de TV.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A interpretação correta é a alternativa B: o pianista relutou porque não se via como um artista de destaque.

O enunciado do narrador registra, de maneira direta, a justificativa do senhor: “que não era um artista importante, que não serviria como atração”. Esse trecho evidencia sua autoavaliação modesta e a sensação de inadequação para subir a um palco televisivo.

Daí infere-se que a hesitação não decorre de descrença na proposta ou de outro motivo externo, mas sim de uma percepção pessoal de pouca relevância artística.

O autor insiste e, ao aceitar o convite, o músico revela que a recusa inicial foi motivada sobretudo pela humildade e pela falta de reconhecimento de seu próprio valor.

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