Questão FC245312
Texto IV Pedocracia: A ditadura das crianças que mandam nos pais As birras, as pirraças, os gritos, os gestos agressivos, as palavras ofensivas são o que normalmente se caracteriza
Interpretação de Textos (Compreensão)
IDECAN · 2022
Texto IV
Pedocracia: A ditadura das crianças que mandam nos pais
As birras, as pirraças, os gritos, os gestos agressivos, as palavras ofensivas são o que normalmente se caracterizam como as crianças ‘donas da casa’. A infantolatria foi o nome dado à ‘ditadura’ de crianças que não aceitam ouvir ‘não’, querem tudo do jeito e na hora delas. Mas em que momento isso passou a ser normal? A psicanalista Marcia Neder, autora de “Déspotas Mirins, o poder nas novas famílias”, da Zagodoni Editora, em entrevista ao “Saia Justa”, chama o fenômeno de pedocracia e nos dá algumas orientações.
“A pedocracia é alimentada pela idealização da maternidade. Qual é o ideal que temos da maternidade? O de uma mãe que abre a mão da sua vida para se dedicar ao filho. Por que as mães embarcam na idealização, por que se sentem santas mães proibidas de ter raiva, de perder a paciência? Aí vem uma culpa fenomenal. Acima da dor dela, tem o que ela aprendeu, que é a suprema felicidade e bem-estar do seu filho”, explica a especialista.
Segundo ela, na atual cultura de idolatração dos filhos, eles precisam se sentir amados pelos pais. “E eles dizem que ‘se não dermos alguma coisa a eles, eles ficam chateados e dizem que não amam a gente’. É uma inversão total de valores”, reforça Neder.
“É mais fácil deixar a criança ser reie. É mais fácil do que aguentar o chilique. Dá trabalho educar. Para evitar isso, querem tudo do jeito e na hora delasd. Se você não estabelece desde o início, tentar estabelecer depois fica complicado”, sugere.
“O processo de mudança nos conceitos de família, iniciado no século XVIII por Jean-Jacques Rousseau, chegou ao século XX com a ‘religião da maternidade’, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. Instituiu-se o que é uma boa mãe sob a crença de que ela é responsável e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e fará. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século XXI como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria”, elucida a especialista.
A definição de infantolatria por Marcia Neder consiste em “a instituição da mãe como súdita do filhob e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criançaa”. E ¹ a criança de qualquer responsabilidade sobre o seu comportamento: “Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiarc. Se isso acontece, é porque os pais promovem”.
Ainda reforça: na fase adulta, esse filho cobrará dos pais. “Ele olhará ao redor e verá outras pessoas se realizando independentemente dele. A criança que acha que o mundo tem que parar para ela passar não consegue imaginar isso acontecendo e não está preparada para lidar com a menor das frustrações. Em algum ponto, acusará os pais de terem sido omissos”.
Disponível em: https://www.revistapazes.com –Texto adaptado.
De acordo com o TEXTO IV, no fenômeno da pedocracia ocorre uma inversão total de valores. Assinale a alternativa que não transmita essa ideia de inversão.
- “... e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança. ”
- “... mãe como súdita do filho ...”
- “Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiar.”
- “... querem tudo do jeito e na hora delas.”
- “É mais fácil deixar a criança ser rei.”
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Gabarito
D
Comentário do professor
«Querem tudo do jeito e na hora delas» expressa, de forma sintética, a ideia de inversão de valores presente no texto: coloca a satisfação imediata e os caprichos da criança acima da autoridade e das normas adultas.
No contexto da pedocracia, essa expressão indica que a família passa a girar em torno do ritmo e das vontades infantis, transformando a criança no centro das decisões e dos privilégios.
Ao exigir atendimento instantâneo, a criança assume papel de protagonista, enquanto o adulto tende a ceder para evitar conflitos, caracterizando a transferência de poder implícita na inversão.
Portanto, a frase resume o fenômeno: é a manifestação prática da infantolatria, quando desejos infantis determinam comportamentos e escolhas parentais.
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