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Questão FC245358

TEXTO II Todas as cartas de amor são ridículas Álvaro de Campos Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu temp

Interpretação de Textos (Compreensão)

IDECAN · 2022

TEXTO II

 

Todas as cartas de amor são ridículas

 

Álvaro de Campos

 

Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.C)

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.B)

 

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)

 

PESSOA, Fernando. OBRA POÉTICA E EM PROSA. Vol. 1, Poesia. Introduções,

organização, biobibliografia e notas de Antônio Quadros e Dalila Pereira da

Costa.Editora Lello e Irmão, Porto, 1986.

 

A respeito do poema “Todas as cartas de amor são ridículas”, assinale a alternativa correta.

  1. Verifica-se a existência de uma ideia que se repete ao longo do poema, dando uma nova caracterização às cartas de amor.
  2. Em “As minhas memórias/ Dessas cartas de amor/ É que são/ Ridículas.”, pode-se afirmar que o poeta se arrependeu de ter escrito cartas de amor.
  3. No trecho “Só as criaturas que nunca escreveram/ Cartas de amor/ É que são/ Ridículas.”, o poeta afirma que todos que se apaixonam escrevem cartas de amor.
  4. O poema apresenta uma crítica às pessoas que escrevem cartas de amor, já que, durante todo o poema, são repetidamente chamadas de ridículas.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa correta aponta que há uma repetição central no poema — o termo ridículas retorna como um refrão — e que essa repetição não é apenas ênfase, mas também instrumenta uma transformação de leitura.

No início, a ideia afirma genericamente que “todas as cartas de amor são ridículas”. Ao longo do poema essa mesma afirmação é retomada e passada por uma lente pessoal: o eu-lírico admite ter escrito cartas assim e, mais adiante, qualifica as suas memórias dessas cartas como o que verdadeiramente parece ridículo. Há, portanto, um movimento de generalização para introspecção.

Em suma, a repetição funciona como recurso deliberado que dá nova caracterização às cartas de amor — reforça a ironia e revela uma visão crítica e nostálgica do eu-lírico.

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