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Questão FC245424

TEXTO II PARA A QUESTÃO. FILOSOFIA DOS EPITÁFIOS Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma e

Interpretação de Textos (Compreensão)

IDECAN · 2019

TEXTO II PARA A QUESTÃO.

 

FILOSOFIA DOS EPITÁFIOS

 

Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum (*); parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos.

 

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

 

 

A obra de Machado de Assis é uma das mais respeitadas da literatura nacional, principalmente pelas sutilezas estilísticas de construção textual sob a natureza sintático-filosófica. Acerca de tal lógica e de acordo com seus conhecimentos pressupostos, pode-se afirmar que, no título do TEXTO II, a locução “DOS EPITÁFIOS” confere ao substantivo “FILOSOFIA”

  1. a ideia de que os epitáfios têm natureza paciente, ou seja, de que são apenas o objeto da reflexão do narrador-personagem.
  2. a relação de expletividade textual, ou seja, de elemento desnecessário à compreensão da mensagem do narrador-personagem.
  3. a ideia predominante de natureza restritiva e agente, haja vista que o núcleo “EPITÁFIO” desempenha, ao mesmo tempo, a noção de restrição acerca da espécie de filosofia e a percepção de que há uma lógica de filosofia advinda do núcleo da locução adjetiva citada.
  4. a ideia de mera explicação do núcleo substantivo “EPITÁFIO”.
  5. a noção exclusiva de restrição de contemporaneidade, porquanto a reflexão abordada é exclusivamente ligada aos tempos atuais.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

No enunciado, a locução “dos epitáfios” qualifica o substantivo filosofia de modo restritivo: não se trata de qualquer filosofia, mas da filosofia específica que se relaciona aos epitáfios.

Além disso, o núcleo EPITÁFIO confere à expressão caráter agente, na medida em que indica origem ou propriedade — a filosofia que emana ou pertence aos epitáfios. Assim, a locução tem dupla função: restringe o âmbito semântico de “filosofia” e aponta a fonte/autoridade dessa reflexão.

Sintaticamente, “dos epitáfios” atua como complemento/adjetivo do substantivo, estabelecendo essa relação de posse e especificação que justifica a leitura “restritiva e agente”.

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