Questão FC245495
Texto I Três anos após tragédia, adoecimento mental preocupa Brumadinho (MG) Três anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, a população de B
Tipologia e Gênero Textual
IDECAN · 2022
Texto I
Três anos após tragédia, adoecimento mental preocupa Brumadinho (MG)
Três anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, a população de Brumadinho, em Minas Gerais, ainda lida com os transtornos psicológicos deixados pela tragédia.
Segundo levantamento da prefeitura da cidade, o consumo de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos cresceu na cidade desde a tragédia. Em 2021, o uso desse tipo de remédio foi 31,4% maior que em 2018, ano anterior ao rompimento da barragem.
Para alguns medicamentos, como a sertralina, utilizada no tratamento de depressão, a distribuição teve um aumento de 103% em 2021, em relação a 2018.
Outro elemento de atenção são os casos de tentativa de suicídio e automutilação. Em 2018, foram registrados 27 casos na cidade. Nos anos seguintes, houve um aumento nesse tipo de ocorrência, sendo registrados 50 casos em 2019, 47 casos em 2020 e 146 casos em 2021.
De acordo com Eduardo Callegari, secretário de saúde de Brumadinho, os casos de violência doméstica e familiar também aumentaram nos últimos anos. Além disso, o consumo de álcool e drogas é outro ponto de atenção para a administração da cidade.
"O impacto da tragédia é muito mais amplo e duradouro do que as pessoas imaginam", afirma Callegari.
De acordo com a psicóloga Aline Dutra de Lima, por ser algo inesperado para a população, esse tipo de tragédia pode fazer com que pessoas que lidam com problemas psicológicos tenham momentos de crise intensificados.
Aline coordenou a equipe de psicólogos da ONG NaAção em Brumadinho após o rompimento da barragem. Em sua atuação ela também percebeu o aumento das tentativas de suicídio e do índice de medicalização da população de Brumadinho.
Segundo ela, após um tempo, as pessoas começam a voltar a suas vidas normais, mas esse processo pode ser lento devido ao luto envolvido.
A ONG desenvolveu ações como fornecimento de terapia e grupos terapêuticos, oficinas e cursos profissionalizantes para a população. Segundo a psicóloga, um fator que ajuda na superação desse tipo de situação é a união da comunidade em um sentimento de retomada.
Além disso, outro elemento importante, e muitas vezes negligenciado pelo poder público e pelas pessoas, é a prevenção da saúde mental.
"Falta incentivo para a prevenção. Infelizmente, não tem em grande escala. Ainda existe um preconceito muito grande em relação à saúde mental e à busca por ajuda de psicólogos e psiquiatras", afirma Aline.
Desde o rompimento da barragem, em janeiro de 2019, a prefeitura também ampliou os atendimentos psicológicos e psiquiátricos na cidade. Os serviços são disponibilizados em todas as unidades de saúde da família, bem como nos centros de atenção psicossocial.
“Ampliamos o número de profissionais na rede, para conseguir atender a demanda do município. A gente não tem uma previsão de quando vai conseguir controlar essa situação no município porque as pessoas ainda sentem isso até hoje. E não apenas as pessoas que perderam familiares; de certa forma, atingiu a cidade como um todo", afirma o secretário de saúde.
O levantamento sobre o uso de medicamentos controlados é utilizado como uma forma de monitoramento da situação.
Segundo a prefeitura, não há pretensão de redução desses serviços. De acordo com o secretário, apesar do aumento na demanda, a prefeitura tem conseguido manter o fornecimento das medicações com recursos próprios.
Segundo ele, um exemplo para as ações de atenção à saúde mental é a cidade de Mariana, que mais de seis anos após o rompimento da barragem ainda demanda cuidados com a assistência psicológica da população.
(Isac Godinho. Folha de S.Paulo. https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2022/01/tres-anos-apos-
tragedia-adoecimento-mental-preocupa-brumadinho-mg.shtml?origin=folha. Janeiro de 2022.)
O texto, jornalístico, se classifica eminentemente como
- narrativo.
- descritivo.
- argumentativo.
- dissertativo.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O texto classifica-se como eminentemente narrativo porque, embora jornalístico, organiza-se como uma narração de fatos ocorridos ao longo do tempo.
Apresenta sequência temporal clara: descreve acontecimentos passados e suas consequências — aumento de consumo de remédios, casos de suicídio, ampliação de atendimentos — construindo uma linha cronológica.
O uso recorrente de verbos no pretérito (por ex.: "cresceu", "foi", "teve", "houve", "aumentaram") reforça a ideia de relato de episódios já ocorridos, característica típica do gênero narrativo.
Há também personagens e agentes (prefeitura, secretário, psicóloga, ONG) envolvidos em ações e reações, o que contribui para a construção de uma história sobre a evolução dos acontecimentos.
Portanto, a opção narrativo é adequada por privilegiar o relato sequencial de fatos e atores ao longo do tempo.
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