Questão FC245564
Somos todos importantes Um músico humilde ensina que nascemos para brilhar Há alguns anos trabalhei como pauteiro do programa Metrópolis, da TV Cultura, em São Paulo. O programa er
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
IDECAN · 2023
Somos todos importantes
Um músico humilde ensina que nascemos para brilhar
Há alguns anos trabalhei como pauteiro do programa Metrópolis, da TV Cultura, em São Paulo. O programa era ao vivo e, como pauteiro, tinha que conseguir uma atração musical por dia. Era um trabalho que me fazia muito feliz. Chegava à redação, lia todos os jornais e fazia uma pesquisa de quais artistas estariam se apresentando em shows naqueles dias.
Escolhido o artista, aceito o convite, o trabalho passava a ser como trazê-lo até os estúdios da TV, marcar os horários. Em certos casos, conseguir ônibus, como na noite em que trouxemos uma bateria de escola de samba completa!
Só havia um problema: no mês de janeiro não ocorriam shows em São Paulo. Era um mês de férias na área artística, não havia nomes famosos, mas eu tinha que conseguir atrações musicais todos os dias. No sufoco, fui a uma pizzaria antiga no Brás, bairro tradicional paulista, onde havia um senhorzinho de terno que tocava um belo piano para os clientes da casa; tocava ali no cantinho, quase sem ser notado.
“O senhor gostaria de tocar na televisão hoje?”, perguntei.
Ele me olhou com ar de surpresa e respondeu que não era um artista importante, que não serviria como atração. Insisti e, afinal, o simpático senhor aceitou o convite.
À noite, já na TV, tivemos uma longa conversa para que contasse sua história, para que eu pudesse fazer o texto de apresentação antes de ele se apresentar. Qual não foi minha surpresa quando aquele senhor me contou uma linda história de vida. Era italiano e imigrou para o Brasil junto com a família. Aprendeu a tocar piano a duras penas e passou a ajudar no sustento de todos graças ao trabalho na pizzaria. Contou histórias de sua terra, histórias de amor e de vida. A cada minuto da conversa, ele crescia mais e mais como ser humano, cheio de sentimento.
Esse clima maravilhoso continuou quando ele se sentou ao piano e tocou com profunda emoção.
Naquela noite, aprendi uma grande lição, que levei para toda a vida: somos todos importantes. Todo ser humano tem uma importante história para contar, desde que tenha oportunidade para fazê-lo e pessoas interessadas em ouvi-la.
Naquela noite, sob os holofotes do estúdio da TV Cultura, aquele senhor anônimo se transformou em artista importante. Brilhou, como todos devemos brilhar. A vida é valiosa.
QUEIROZ, Zais Nico Pereira de. Somos todos importantes. Escrita Viva, São Paulo: SP, Editora Escala. Ago/2023
Acerca da equivalência e transformação de estruturas do texto, assinale a alternativa correta.
- A expressão “A cada minuto da conversa, ele crescia mais e mais como ser humano, cheio de sentimento.” estaria igualmente correta na forma “Há cada minuto da conversa, ele crescia como ser humano, cheio de sentimento.”
- Em “O programa era ao vivo e, como pauteiro, tinha que conseguir uma atração musical por dia.” a substituição da forma verbal sublinhada por “fora” mantém a correção e a coerência da oração.
- Em “no mês de janeiro não ocorriam shows em São Paulo.” a substituição da forma verbal destacada pela forma “havia” mantém a concordância verbal adequada à norma culta.
- Em “Era um mês de férias na área artística, não havia nomes famosos, mas eu tinha que conseguir atrações musicais todos os dias.” a palavra sublinhada poderia ser substituída por “portanto” mantendo o mesmo sentido no texto.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A substituição indicada é correta porque preserva o sentido de existência de eventos e respeita a concordância exigida pela norma culta.
O verbo ocorrer é pessoal: tem sujeito ("shows") e concorda em número — por isso "ocorriam shows".
Já o verbo haver, quando significa "existir/acontecer", é impessoal e permanece sempre na 3.ª pessoa do singular — por isso "havia shows".
Logo, trocar "ocorriam" por "havia" altera a estrutura sintática (verbo pessoal → impessoal) mas mantém a correção e o sentido: "no mês de janeiro não ocorriam shows" → "no mês de janeiro não havia shows".
A forma *"haviam shows"* é incorreta nesse uso, pois contraria a impessoalidade do verbo haver.
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